sábado, 23 de janeiro de 2016

Da série: com a nossa mídia não há diálogo. Dilma, volte a pular no TUCA!

A cena foi linda. Diante de milhares de jovens reunidos na rua, Dilma aparece na janela do TUCA (Teatro da Universidade Católica de São Paulo). Lá dentro, centenas de artistas e intelectuais prestavam seu apoio à candidatura da continuidade das políticas de inclusão social e emprego; lá fora, a juventude gritava: "quem não pula é tucano!".

Foi ali, naquele momento, que a campanha 'pegou' de vez. Dilma virou o jogo e nem mesmo a atuação rasteira e nojenta da mídia conseguiu evitar que o tucanato e a própria mídia sofressem a quarta derrota seguida.

No discurso dos intelectuais e artistas e nos gritos da juventude, a explosão de luta e esperança na construção de uma nova realidade, a realidade da inclusão e do empoderamento das massas. Um sonho que une os brasileiros aos irmãos latino americanos e esses aos irmãos mundo afora na expressão da luta dos povos por liberdade.

Ali, da janela do TUCA, se contestava um sistema capitalista financeiro que produz a mais deplorável concentração de renda da história, onde os 1% mais ricos têm mais do que o restante dos 99%, ou que permite que as 62 pessoas mais ricas tenham mais do que os 50% mais pobres (3,6 bilhões de pessoas).

Um sistema onde imperam os paraísos fiscais que sugam os capitais dos Estados nacionais, do setor produtivo, do trabalho dos povos e alimenta a bolha da ciranda financeira. Um sistema onde 500 megacorporações controlam os preços internacionais de todos os setores econômicos, rebaixam ao seu bel prazer o valor das riquezas fundamentais para alavancar a indústria e a economia dos países, como o petróleo, os minérios, as commodities e até o desenvolvimento tecnológico e científico.

Um sistema baseado no papel moeda estadunidense, sem lastro real, que provoca desnacionalização e dolarização das cadeias produtivas nacionais, levando crise, inflação e endividamento a cada vez que o sistema internacional resolve imprimir dólar a rodo.

A crise que leva ao desemprego, à pobreza e às guerras (que geram os êxodos, a xenofobia, a fome).

O capitalismo financeiro atual é uma máquina de assassinar sonhos em escala global.

Ali, da janela do TUCA, havia o ápice do debate nacional. Que rumo tomar? Permanecer um país onde os 3% mais ricos detém 40% das riquezas, onde rico não paga imposto e ainda conta com um paraíso fiscal interno criado por FHC (isenção de imposto de renda nos lucros e dividendos empresariais), onde a sonegação fiscal atinge escandalosos 500 bilhões anuais ou continuar apostando em um país que combate a exclusão social, que gera emprego, que busca enfrentar os ditames do 'deus' mercado em prol do povo?

Por tudo isso, pular na janela do TUCA deu a vitória a Dilma. Mostrou-se ali que o povo brasileiro não deseja voltar aos tempos do neoliberalismo tucano. Mostrou-se ali que a mídia já não mais tem o poder de determinar o rumos das eleições.

Mas a pena é que tudo parou por ali. O esforço de unidade em torno do povo cedeu lugar à ortodoxia econômica e a uma burra tentativa de diálogo com a mídia!

Não há diálogo com a nossa mídia. Tudo o que ela faz é turvar o debate, disseminar a confusão, vender mentiras.

Que vantagem trouxe para o governo e para o país a guinada ortodoxa via Joaquim Levy? Que vantagem trouxe para Dilma as frustradas e inúteis tentativas de 'diálogar' com a mídia?

O que a mídia quer é derrubar o governo de cunho Trabalhista e reinstalar no poder central um governo neoliberal puro sangue tucano. Para isso, tem jogado todas as fichas na investigação seletiva da Lava Jato e no trâmite do processo de cassação de Dilma, seja via impeachment, com Eduardo Cunha, ou via TSE.

Não é só o diálogo com o governo que não existe na mídia. Não existe o diálogo nacional!

Estamos construindo, a partir de 2003, o maior processo de democratização da universidade pública nacional, e daí? Estamos passando a maior crise da história do capitalismo, e daí? A guerra mundial dos preços do petróleo exigem que protejamos o nosso pré-sal para o momento futuro de recuperação do setor, e daí? As políticas inclusivas, de distribuição de renda e de geração de empregos criadas nos últimos treze anos tiraram o país do mapa da fome e melhoraram nosso índice GINI, e daí?

A mídia jamais vai discutir, por exemplo, o por que, até 2003, o Brasil quebrava com qualquer vento forte vindo do exterior e a partir de então não quebra mais. A crise da Tailândia e da Rússia, ocorridas em 1997 e 1998, nem sequer se aproximam à crise atual, vigente desde 2008, no entanto, naquela época o Brasil quebrou e foi ao FMI três vezes. A diferença é que nos últimos treze anos as bases da economia brasileira se tornaram mais sólidas, mas, e daí?

E o debate tributário, então, é possível fazer com a mídia? Claro que não. Reinam nesse quesito  a desfaçatez e a hipocrisia.

"Ninguém aguenta mais impostos e os serviços públicos devolvidos são péssimos" é a frase preferida da mídia e dos mais ricos. Escondidos sob essa traquitana estão os 500 bilhões anuais sonegados e desviados para paraísos fiscais. os 17 bilhões que deixam de entrar nas contas do Estado a partir da isenção de imposto de renda sobre lucros e dividendo dos ricos e o fato de que no Brasil se taxa o consumo (a cesta básica) ao invés do patrimônio e da renda.

obs: O paraíso fiscal dos lucros e dividendos empresariais criado por FHC em 1995 suga 17 bi das contas públicas. O Programa Bolsa Família inteiro custa 15 bi. O primeiro atende a meia dúzia de magnatas, o segundo atende 40 milhões de pessoas. Reponda: qual deles gera mais ódio naqueles que consomem a nossa mídia?

A mídia esconde também, por debaixo da sua hipocrisia, que a sua própria existência só se dá por causa das gigantescas verbas publicitárias estatais que engordam seus caixas. Por isso, investigações sobre o HSBC ou da operação Zelotes, que a atingem, ou são ignoradas ou desviadas em direção a um dos filhos do Lula.

Até mesmo no debate em torno dos juros a mídia consegue ser canalha. Em 2012 ela detonou a política de redução de juros conduzida por Dilma, que levou as taxas para 8% (o menor valor da média histórica). Agora, a mídia consegue detonar cinicamente a corretíssima manutenção da taxa de juros feita pelo Banco Central. A mídia quer sangue!

Portanto, Dilma, não é possível continuar assim, acenando ao diabo e de costas para o povo. O pulo na janela do TUCA em 2014 e a mobilização da Frente Brasil Popular no ano passado foram os maiores exemplos de que é com o movimento popular que faremos a nossa recuperação.

O discurso de Dilma ao ser recepcionada na sede do PDT, batendo nos golpistas, nos dá um pouco de esperança.

São nos momentos difíceis que são necessárias soluções de Estadista.

Dilma, esqueça a mídia e volte a pular na janela do TUCA! O movimento popular a aguarda.

Ricardo Jimenez

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