domingo, 24 de janeiro de 2016

Às escondidas, Alckmin força reorganização e fecha o noturno e o EJA!


Dados do INEP mostram que a população brasileira apta a cursar o ensino médio noturno, ou seja, os jovens trabalhadores, perfazem 20% da população. Se somarmos a isso os adultos atrasados em seus estudos e que podem ser atendidos pelo EJA, o número chega a impressionantes 52 milhões de pessoas!

Isso sem contar os cerca de 16 milhões de analfabetos, entre adultos e jovens!

É mentira a alegação do governo de São Paulo de que as matrículas caíram de 6 milhões para 4 milhões nos últimos 10 anos por causa da queda na taxa de natalidade. Chega a ser um escárnio comparado ao prêmio dado a Alckmin pelo gerenciamento hídrico.

Qualquer que seja a alteração nas taxas de natalidade, para cima ou para baixo, jamais isso vai se refletir no ensino noturno em um período menor do que uma geração!

O governo do Estado de São Paulo quer acabar com o noturno e com o EJA por contenção de gastos e por que nos últimos 21 anos o governo tucano levou a educação pública paulista à beira da falência!

Dados mostram que a tendência no Brasil todo é a matrícula nos cursos noturnos expandirem! Você pode encontrar estudos aquiaquiaqui e aqui. As matrículas noturnas nos Institutos Federais triplicaram de 2011 para 2014, no Nordeste e Norte o ensino noturno cresceu 65% nos últimos 10 anos (incluindo EJA) e o EJA, no Brasil, vem crescendo a uma taxa de 5% ao ano desde 2003!

O ensino noturno e o EJA são uma reivindicação histórica do trabalhador brasileiro a partir dos anos 30. É um direito garantido pela Constituição de 1988. As pessoas que procuram o ensino noturno e o EJA são os jovens que trabalham o dia todo, os adultos que não completaram os estudos na idade correta, moças com filhos pequenos etc. Ou seja, no ensino noturno está grande parte do povo trabalhador do Brasil.

Enquanto o Brasil que cresce busca expandir e melhorar o ensino noturno, São Paulo e suas filiais tramam a sua extinção para conter gastos sociais. Em Minas, até o ano passado, o governo Anastasia praticava a mesma política que Alckmin introduz agora: acabar com o noturno. A resistência do sindicato dos professores mineiros e, felizmente, a eleição de Fernando Pimentel começam a reverter o quadro. Em recente decreto, Pimentel garantiu a matrícula noturna para todas as mulheres mães de filhos pequenos a partir dos 16 anos!

O ensino noturno começou a morrer em São Paulo em 1994, ano trágico, ano da entrada do PSDB no governo.

A minha experiência de 12 anos trabalhando com o noturno regular e com EJA me permitem afirmar: o PSDB esmagou o ensino noturno, esmagou os sonhos dos seus alunos e esmagou a auto estima de seus professores.

Quem deu e dá aulas no noturno paulista sabe do que eu falo.

Os jovens trabalhadores e os adultos estudantes do Estado sucumbiram pela incapacidade do governo em controlar o tráfico de drogas, a violência e pela incapacidade de introduzir um currículo minimamente eficaz para a educação noturna e para o EJA.

O PSDB destruiu paulatinamente a valorização do professor que dava aulas no noturno e esconde a violência oprimindo os professores, colocando seus diretores para perseguir professor e garantir que boletins de ocorrência não sejam lavrados!

21 anos do mesmo partido e o resultado é o descalabro e o sepultamento do ensino noturno e do EJA.

Na verdade, grande parte dos estudantes trabalhadores paulistas, aqueles que podem, migraram para os cursos técnicos federais e do Senai. Os que não puderam, engrossam o número de evadidos, que cresce. Assim como cresce o número de professores que pedem exoneração com menos de 2 anos de trabalho.

A esdrúxula proposta de reorganização do ensino paulista proposta por Alckmin e derrotada temporariamente pela luta de estudantes e professores, com ocupação de escolas e envolvimento das comunidades, traz no seu bojo o fim do noturno e do EJA.

Aliás, é pauta prioritária da política tucana para a Educação a transferência da educação pública estadual para ONGs. Isto já é realidade em Goiás e é apenas uma amostra do que está sendo gestado em São Paulo para ser introduzido no Brasil a partir de 2018.

Em São Paulo a luta não terminou. A APEOESP denuncia que o governo está fazendo a reorganização às escondidas, fechando séries nas escolas de periferia e acabando com as matrículas no ensino noturno.

A política tucana se resume a passar o ensino fundamental para os municípios e o ensino médio para as ONGs, lavando as mãos de sua responsabilidade com a Educação Pública, talvez para sobrar dinheiro para enviar às bolsas de valores estrangeiras, como fez com os 6 bi da Sabesp colocados na bolsa de Nova Iorque.

A luta de professores, estudantes, pais e movimento popular em defesa da Educação Pública é cada vez mais necessária.

Ricardo Jimenez

3 comentários:

  1. Tirando a responsabilidade aos poucos. Chuchu insuportável.

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  2. Ótimo texto, desde 1998 luto contra a despolitica do governo do PSDB. Em 2008 exonerei, sucumbi ao império contado por esses bandidos. Hoje estou muito feliz na SMESP e sou muito solidário aos professores combatentes da SEE!

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