quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A 'onda fascista' vira marola, mas ser reaça ainda rende uma grana!


A lista é grande e eclética. Olavo de Carvalho, o pioneiro, Bolsonaro, Rodrigo Constantino, Marco Antônio Villa, Reinaldo Azevedo, Roger Ultraje, Lobão, Frota, Sheherazade, Malafaia, Feliciano e afins. São alguns ícones da chamada direita e esparramaram pelo país através da mídia e das redes sociais milhões de seguidores que se intitulam: 'conservadores', 'liberais-conservadores', 'anarco-capitalistas', 'intervencionistas' e outros tantos.

Quando os grupos reaças como MBL, Revoltados Online e outros conseguiram fazer as manifestações de março e abril de 2015 na esteira dos erros dramáticos cometidos por Dilma nos seus primeiros passos após ser reeleita, houve quem profetizasse que uma 'onda fascista' varreria o Brasil. Até um novo golpe militar foi temido.

Hoje essa 'onda' virou marolinha para um país das dimensões do Brasil. Claro que a imensa maioria da população está insatisfeita com a política e com os políticos, que o PT vive sua pior crise e perde muito de sua popularidade, junto com Dilma, mas isso não significa que o movimento reaça avança na sociedade. O dado real é que a maioria da população nas últimas quatro eleições elegem propostas de esquerda, esse é o dado real.

Junto com a mídia tradicional e o PSDB, que apostavam tudo no desmonte do PT e do governo Dilma via 'delações premiadas' para assumirem o poder sem precisar de voto, os reaças sofrem do mesmíssimo mal: caminham lentamente para a avacalhação. E por seus próprios méritos.

A mídia tradicional na sua sanha anti-petista perde credibilidade diária e agoniza a partir do paulatino fechamento das bicas da propaganda governamental, que sempre a sustentou. As mídias digitais e alternativas avançam e embolam o jogo. O PSDB, que nunca teve profundidade no povo e só sobrevive na sua parceria com a mídia tradicional, não consegue escapar das denúncias mesmo com todo o esforço do parceiro para omiti-las.

Já as lideranças reaças citadas no início do artigo sofrem do processo rápido de rotulagem e acomodação. Disputam entre si, e aí é preciso reconhecer, um público que mesmo não sendo uma 'onda avassaladora', cresceu muito e hoje representa um mercado de alguns milhões de pessoas ávidas a consumir toda a produção reaça dos seus líderes.

Aí começam as disputas, as tretas na direita. Ser reaça rende uma grana e renderá por muito tempo. Bater na política de cotas, nas feministas, no bolsa família, chamar o STF de bolivariano, xingar o Lula, xingar a Dilma, xingar o PT, demonizar o Foro de São Paulo, ser contra imigrantes, ser contra a escola pública, a saúde pública e qualquer coisa pública rende views, compartilhamentos, likes e venda de livros e palestras. Na disputa deste 'mercado', muita treta virá.

Muitos falam na criação de um partido da direita, conservador, reunindo toda essa gente. Duvido! O interesse deles não é esse, é simplesmente aproveitar a tendência, que é mundial, inspirada em uma tradição da direita dos EUA, na qual Olavo, por justiça, é o pioneiro, para ganhar algum. Claro que servem de massa de manobra em momentos de crise, como o atual, mas são em geral pitorescos e inofensivos.

Perigosos são a mídia e os acordos políticos que envolvem os interesses empresariais. A mídia pode produzir um perigoso movimento de manada e  os acordos políticos e empresariais produzem retrocessos sociais, ambos colocando em risco a vida de muitos. Eduardo Cunha é um dos frutos podres disso aqui no Brasil. Assim como no mundo cerca de 500 conglomerados empresariais usam os instrumentos do Estado Nacional e os acordos políticos para comandar o capitalismo em detrimento dos povos trabalhadores, é aqui no país, do mesmo jeito.

Ao contrário do que pregam os ditos 'liberais' de facebook, os conglomerados empresariais não querem acabar com o Estado, pelo contrário, pois sem o Estado nada acontece. O capitalismo não vive sem o Estado, sem o domínio do Estado máximo para o capital e Estado mínimo para o trabalhador. É contra esse modelo e essa gente que os movimentos populares mundiais lutam, não contra o Lobão.

Continuaremos por muito tempo nos divertindo com o Olavão 'denunciando' o Foro de São Paulo e mandando todo mundo tomar naquele lugar, riremos do Constantino na Disney magoado com a Veja que o demitiu porque perdeu as verbas do Estado (risos), do historiador tucano Villa com sua saga anti-Lula, o Bolsonaro tomando uma surra do MEC por falar besteira e seguiremos tendo que conviver com os milhares de reacinhas nos enchendo o saco no face.

É isso!

Ricardo Jimenez

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