domingo, 14 de maio de 2017

O golpe avança, o Estado de exceção avança e Lula é o último obstáculo!


Lula é um mito nacional e um líder com expressão mundial, por isso ainda se mantém de pé e lutando contra um golpe poderoso cujos tentáculos vão da política à atuação de setores estatais, passando pelos interesses econômicos e geoestratégicos estrangeiros.


 A situação é grave e as denúncias de violação de direitos e de perseguições políticas com potencial de minar a democracia consolidada na Constituição de 1988 se sucedem desde de 2015, já no movimento contra o impeachment de Dilma.

O objetivo é claro: acabar com a continuidade de um projeto democrático e popular iniciado com a vitória de Lula 2002 e vencedor de outras três eleições sucessivas.

Para isso, a busca por destruir Lula, o PT e, de quebra, qualquer possibilidade de uma força popular acessar o poder vem desde 2005 no 'mensalão' e prossegue agora com a Lava Jato.

Mas agora é muito pior. Montou-se uma força tarefa que envolve desde de interesses estrangeiros, que se mobilizaram após a nacionalização do pré sal, a interesses políticos, passando por estruturas dissidentes dentro do aparelho estatal até a mídia empresarial e hegemônica.

É preciso tirar Lula do caminho. Se não é possível prendê-lo de imediato, dado o seu tamanho e importância, tire-o do páreo eleitoral através da 'justiça'.

O juiz de Curitiba, a Lava Jato, já condenaram Lula, o power point mostrou isso, agora falta a segunda instância e, pronto! Lula estará fora de combate.

É a histórica elite local antipopular e anti-nacional agindo com o instrumento de sempre: o golpe. E contando com o poder de uma mídia hegemônica para pressionar a todos, incluindo a Justiça, que continua a ter seu relógio sincronizado com a política, sempre no sentido de colaborar para o enfraquecimento e satanização petista.

A situação só não está pior porque existe Lula, sua história, sua liderança popular e seu legado.

Seu legado é, ao mesmo tempo, o motivo do golpe e um obstáculo para o avanço do mesmo.

A partir de 2003, Lula construiu um governo que fez o Brasil crescer, gerar empregos e incluir os mais pobres. Algo impensável para aqueles que sonhavam com os 20 anos de mandatos tucanos, com a ALCA e com o Estado mínimo tupiniquim.

A descoberta e a nacionalização do pré sal certamente acrescentaram o componente estrangeiro no engenho do golpe.

Lula, criticado por uma parte minoritária da esquerda nacional que o chama de conciliador e até de 'traidor da classe operária', se tornou o inimigo número um do golpismo. Massacrado por 18 horas no principal telejornal da mídia hegemônica e condenado diariamente por 'delatores' escolhidos a dedo.

Aliás, os detratores de Lula vêm desde os tempos de sindicato, nos anos 1970: 'é um marionete; construído pelo Golbery; um fantoche semianalfabeto...' e por aí vai.

Veio a construção do PT, veio a construção da CUT, vieram as candidaturas presidenciais e a liderança popular, veio a vitória em 2002 e os dois mandatos presidenciais mais bem avaliados da história.

Um gênio, um líder popular nato, uma personalidade mundial.

Um político capaz de vencer uma eleição nacional e esboçar um projeto soberano de desenvolvimento em plena pujança do neoliberalismo e nas barbas dos EUA. De criar uma UNASUL, de negociar um BRICS.

Eu até entendo que uma parte da esquerda não goste de Lula, um aliancista, um conciliador, um negociador capaz de reunir diversos interesses em torno de uma mesa. Depende da avaliação do conceito de revolucionário que cada um faz.

E entendo perfeitamente o porquê da direita odiá-lo.

Lula é o símbolo do Brasil nação que quer se ver grande e, para isso, precisa de um esforço coletivo, de inclusão popular e unidade política. Um representante do projeto nacional histórico que, intuitivamente, ele buscou lá nas hostes varguistas e adaptou ao seu estilo.

Por tudo isso, mais do que o nariz torcido que ele causa em setores da esquerda, Lula é uma ameaça e um inimigo maior de uma elite entreguista, antinacional e anti-popular que sobrevive historicamente no Brasil promovendo golpes sobre golpes.

Hoje, só não estamos em uma ditadura de fato, porque temos Lula.

Por enquanto.

Por isso, apesar de todas as críticas que, obstante de sua grandeza, ele merece, este é o momento de os democratas defenderem Lula, porque defender Lula hoje é defender a democracia, o Estado democrático de direito contra o autoritarismo elitista que busca se impôr mais uma vez sobre o Brasil.

Neste momento, defender Lula contra os desmandos da Lava Jato também é combater o golpe, assim como combater as reformas e o governo Temer também é combater o golpe. Defender Lula e combater essa justiça seletiva e a imagem de um 'juiz' midiático, partidário, parcial e vingador é defender a democracia e garantir que tenhamos no futuro uma eleição livre para debatermos um projeto de país e um Estado democrático de Direito para viver.

Eu, pessoalmente, acredito que Lula deveria curtir sua aposentadoria por tudo o que já fez por esse país, e, havendo eleições em 2018, apoiar um candidato novo à frente de um projeto popular, nacional, democrático, inclusivo, desenvolvimentista, sustentado em ampla aliança político-popular que una amplos setores nacionais e proponha uma ampla reforma política, tributária e de mídia. 

Mas que ele tenha o direito de decidir isso e não ser limado da vida pública por um julgamento parcial e político que quer cassá-lo para cassar as esperanças do povo de construir um país soberano e verdadeiramente democrático. E se decidir ser candidato, representando um projeto anti-neoliberal, tem toda a sua história e seu legado para o preceder na disputa.

Mas, se hoje o autoritarismo atua contra pessoas consideradas 'importantes' como Lula, e faz disso uma propaganda para manipular a opinião pública e rachar o país, amanhã atuará contra qualquer um, inclusive contra os mais pobres, e com mais violência do que já atua hoje em dia.

Há uma certa reação aos desmandos atuais, há uma reação aos métodos da Lava Jato e sua parceira principal, a mídia hegemônica, mas ainda é um movimento tênue, localizado em uma região do espectro político, que retarda mas não interrompe o avanço autoritário.

É preciso mais resistência, mais amplitude da resistência.

É hora de diálogo, unidade e construção de novas lideranças democráticas.

Um segundo golpe, dentro do golpe, é iminente.

Ricardo Jimenez


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