domingo, 26 de março de 2017

Franceses visitam áreas do MST na região de Ribeirão Preto


Fotos: Filipe Peres

Monique Murga, Solen Prieur, Jean-Pierre, Lydie Bosc e Chistine Countanson observavam tudo atentamente. Nada escapava: uma palavra explicada, uma bananeira mostrada, uma flor. Tudo era motivo de atenção do grupo de franceses “Les Amis du MST de France”. Este grupo, entre os dias 24 e 26 de março, esteve no Assentamento do MST Mário Lago, em Ribeirão Preto. Vieram conhecer a estrutura do acampamento, a divisão individual dos lotes e, principalmente, o trabalho com a agrofloresta sintrópica (ver a matéria sobre Agrofloresta Sintrópica realizada no Assentamento aqui).

Impressionados com tamanha organização, os franceses fotografaram, anotaram. Nenhuma observação passou em branco para o grupo de Lion. Nestes três dias que estiveram em Ribeirão Preto, além do assentamento, conheceram, também, a área de recuo do acampamento Alexandra Kolontai, onde participaram das atividades de gênero com Adriana Novaes e, à noite, participaram de um Luau.

França perde direitos e sente o aumento da repressão

Como não poderia deixar de ser, o corte de gastos na educação pública, na saúde, o aumento da repressão, a perseguição a sindicalistas na França não passou em branco. Para Monique, o que está acontecendo na França é um retrocesso brutal. Para ela, em parte, os erros do “Parti Sociealiste”, a descrença na política tradicional é um dos fatores para o crescimento do partido de Marie Le Pen. “Le Pen possui um discurso populista, mas nós sabemos que, depois, ela governará para a elite econômica, para a burguesia”

Brasil

Perguntada sobre como os franceses enxergam o Brasil, Monique foi enfática: “O povo não se interessa pelo Brasil, nem por América Latina, agora. Antes, durante muitos anos, os franceses foram solidários, mas desde a onda dos governos progressistas, os militantes franceses entenderam que América Latina estava mais adiantada do que nós. Somos alguns a seguir com a solidariedade à AL.
Monique e Jean-Pierre

O papel dos grandes meios de comunicação da França como forma de informar a população do que acontecia nesta terra tupiniquim, Monique chamou atenção para a desinformação gerada por eles: “Os grandes meios foram muito ruins. No início, reproduziam as notícias oficiais do Brasil, nada além disso. Le Monde, depois, pediu desculpas. Depois, foram um pouco mais realistas. Conseguimos realizar um ato de solidariedade na esquerda contra o golpe, mas não foi nos grandes meios. O grande público francês continua sem saber, sem entender. É como o golpe em Honduras, no Paraguai, não tiveram muita repercussão. Só que Brasil possui uma posição estratégica por causa dos Brics, do petróleo, da água.
Espantada Monique afirmou que ninguém no exterior conseguiria imaginar que aconteceria algo semelhante com o país, mas sabe onde está o problema: “Vocês têm uma direita que funciona como a aristocracia antes da revolução (Revolução Francesa, 1789). Não querem compartilhar nada, muito menos entregar o poder a um operário”. E finaliza, pontuando as diferenças existentes, hoje, entre o que acontece na França e o que acontece no Brasil: “Na França, a justiça ainda é imparcial e a direita política, quando perde as eleições, aceita”.

Após estes três dias, os franceses voltam com uma certeza: a resistência ao golpe, a luta pelos direitos, a preservação do meio ambiente, a produção sustentável passa pelo MST.

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