sexta-feira, 10 de março de 2017

É preciso entender a fala de Renan sobre Cunha e Temer para entender o golpe!

Não temos nenhum interesse em ficar aqui tentando adivinhar quem é pior, Temer, Cunha ou Renan. Mas uma coisa é certa, Renan não é da turma de Cunha e Temer. No jogo interno dos coronéis do PMDB, Renan joga em outro time.

No famoso áudio do Jucá ficou claro que, dentro da estrutura fisiológica que predomina no PMDB, Renan e Temer representam dois polos.


Por isso, é tão importante entender a profundidade da afirmação de Renan essa semana, de que Eduardo Cunha manda no governo Temer de dentro da cadeia.

A turma do Cunha está sendo nomeada no governo.

Essa realidade explica, e muito, a natureza do golpe.

Já se sabe que tudo foi tramado antes de 2014. A grana das empreiteiras, ou da empreiteira Odebrecht, cujo montante foi acertado dentro do Palácio do Jaburu, irrigou a campanha de 140 deputados que, em 2015, transformaram Cunha em Presidente da Câmara. O que foi o passo fundamental para pavimentar o caminho do golpe que derrubou Dilma e levou Temer ao poder.

Dilma havia, desde 2011, fechado uma série de propinodutos de Cunha dentro da Petrobrás e em Furnas (neste caso, ela também mexeu em interesses de um certo senador por Minas). Cunha era o maior inimigo de Dilma e o maior amigo, e histórico aliado, de Temer, mas se transformou também em aliado do PSDB.

Isso, somado ao papel que a Lava Jato representou, em parceria com a mídia, na construção da narrativa seletiva e politicamente objetiva anti-petista, constrói todo o desenho do golpe.

A Lava Jato, apoiada na mídia e na desinformação popular, é o braço armado do golpe, aquele que pode transgredir o Estado de Direito em nome de uma cruzada: o combate à corrupção. Indiscutivelmente, seu mecanismo de pressão e chantagem foi, e ainda é usado, contra o PMDB não temerista, como a ala de Renan, e demais partidos do centrão político. Por isso Cunha aprovou no passado e Temer aprova hoje o que bem entender no Congresso.

A democracia está manietada.

O PSDB é o esteio político em torno do plano chamado 'Ponte para o Futuro', o caminho de reintrodução do neoliberalismo sem a necessidade de passar pelo voto (cuja eleição presidencial o PSDb não vence desde 1998).

O PMDB temerista, e seus penduricalhos em um Congresso todo envolvido na podridão da grana empresarial e pressionado pela Lava Jato, é o executor.

Cunha realizou a primeira tarefa: comandou um impeachment sem provas que levou à cassação de uma Presidente honesta eleita legitimamente por 54 milhões de votos.

O STF, omisso e conivente em todo o processo, esperou Cunha terminar o serviço para tomar a decisão de afastá-lo do comando da Câmara. Cunha é preso (sem televisão, sem ser algemado e sem ser execrado em praça pública, como foram todos os petistas ou os aliados petistas).

Começa a segunda parte e essa cabe a Temer: avançar na destruição do Estado do Bem-Estar Social e promover o poder do capital especulativo e rentista sobre o Estado nacional. Um brutal processo apoiado na mídia que vai colocando em risco todo o sistema de saúde pública, educação pública, aposentadoria e demais benefícios sociais garantidos na Constituição e assegurados nos treze anos de governo do PT.

Assim como no caso de Cunha (que parece estar pressionando Temer de dentro da prisão, ameaçando uma delação bomba e obrigando o amigo a nomear seus aliados, como denuncia Renan), as investigações das denúncias contra Temer vão sendo postergadas até que ele termine a sua tarefa.

Enquanto isso, a maior liderança popular do país mantém sua luta inglória contra os desmandos do braço armado do golpismo e, mesmo inocentado por mais de 60 testemunhas, continua na mira do juiz vingador, que também tem de entregar seu serviço, o de acabar com o PT e sua liderança maior.

A única esperança é a mobilização popular, complicada, difícil devido à discrepância de forças entre os movimentos populares e a mídia hegemônica.

Mas é preciso continuar na luta. A proposta impopular de reforma da Previdência é um ótimo ponto de unidade e dia 15 começa a mobilização popular e sindical pela greve geral

Continuaremos lutando pela democracia.

Blog O Calçadão

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