quarta-feira, 22 de março de 2017

A mobilização não para

Maria Izabel Azevedo Noronha


De apeoesp.wordpress.com/

Por Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP

Vitória da nossa luta: Temer retira servidores estaduais e municipais da reforma da previdência.

O posicionamento da APEOESP, no entanto, não muda. Somos contra o desmonte da previdência social.


O recuo do Governo Temer, retirando servidores estaduais e municipais da reforma da previdência (PEC 287/16), alegando a autonomia dos entes federados, representa uma retumbante vitória da nossa mobilização e mostra que a união, organização e coragem para lutar produzem resultados.

A APEOESP, em agosto de 2016, já lançava a campanha “Você topa se aposentar aos 65 anos?”, na qual denunciava os principais pontos do que viria a ser a PEC 287. Em 26 de agosto, mais de 30 mil professores e professoras saíram em caminhada da Praça da República - onde realizamos assembleia estadual, deliberando que a questão previdenciária seria um dos eixos centrais de nossa campanha – até o escritório da Presidência da República, na Avenida Paulista.

Nossa campanha prosseguiu nos meses seguintes e, no XXV Congresso Estadual da APOESP, aprovamos um manifesto que unificou a quase totalidade dos delegados e delegadas, lançando um calendário de lutas a ser desenvolvido em nível estadual e proposto às instâncias nacionais, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e Central Única dos Trabalhadores (CUT). No 33º Congresso Nacional da CNTE, este calendário foi a base da mobilização dos profissionais da educação em todo o país e da greve nacional da educação, que vem se desenvolvendo de acordo com as especificidades de cada estado.

No estado de São Paulo, combinamos este eixo nacional com nossas reivindicações – reajuste salarial imediato de 22,7%, aplicação da meta 17 do Plano Estadual de Educação, reabertura de classes fechadas, contratação de professores, revogação das resoluções que prejudicam a categoria, garantia de direitos aos professores temporários e outras. Esta combinação, debatida com a categoria nas escolas e nas subsedes da APEOESP, atraiu mais de 50 mil professores e professoras para uma fantástica assembleia na Praça da República no dia 15 de março, depois da qual nos somamos à manifestação unitária dos trabalhadores na Avenida Paulista, contra o desmonte da previdência.

Por tudo isso, comemoramos neste momento o recuo do governo ilegítimo de Michel Temer e nos solidarizamos com os servidores federais, que podem contar com nosso apoio na luta que continuarão a empreender contra esta reforma da previdência, assim como continuaremos a manifestar nosso posicionamento contra uma reforma que penaliza a classe trabalhadora sob a alegação de um inexistente rombo no sistema previdenciário brasileiro.

Nossa mobilização não para. Não vamos permitir que o Governo Estadual tente reproduzir aqui o que Temer pretendia fazer em âmbito federal. Continuaremos a defender nossos direitos previdenciários com a mesma garra que demonstramos até aqui. E temos muitos motivos para continuar lutando. No dia 28 de março iniciaremos uma greve, cuja continuidade ou não será avaliada em assembleia na Avenida Paulista, no dia 31 de março, às 14 horas.
Não aceitamos zero de reajuste, não podemos aceitar as péssimas condições de trabalho a que somos submetidos, nem o descaso, o desrespeito com que somos tratados, assim como políticas educacionais que vem fazendo piorar a cada ano a qualidade do ensino.

Vale a pena lutar. Parabéns a todos/as os/as professores/as que participam desta jornada. Vamos à greve pelos nossos direitos e reivindicações, para conquistar novas vitórias.


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