domingo, 29 de janeiro de 2017

Biógrafa de Ana Maria Primavesi visita assentamento Mario Lago e acampameto Paulo Botelho-RP, do MST


                                                                                              Fotos: Filipe Peres

Ana Maria Primavesi, austríaca, engenheira agrônoma, escreveu o livro mais importante sobre como lidar com a terra de maneira ecológica: “Manejo Ecológico do Solo”. Neste livro, Primavesi vai contra a revolução verde de usar adubo, de usar veneno. Esta engenheira sempre defendeu que o solo tropical é diferente do solo europeu e, por isso, deve ser tratado de modo diferente. Para ela, ao invés de carregar a terra de adubo e veneno, o solo tropical precisa ser vivificado, alimentado com matéria orgânica. Não é difícil imaginar que com esse discurso Ana foi fortemente combatida pela indústria de venenos e adubos, o que dificultou (e muito) a primeira publicação de seu livro. Mas esta é apenas uma das facetas da vida desta sumidade da agroecologia. Apenas uma das lutas vividas por ela.

Alguém precisava contar a história desta grande mulher. Este alguém foi a geógrafa e professora Virgínia Mendonça Knabben. Autora da biografia sobre a vida da engenheira agrônoma Ana Maria Primavesi (Ana Maria Primavesi: Histórias de Vida e Agroecologia), Knabben revela em seu livro, sem deixar de lado o ativismo agroecológico, um pouco do lado mulher, mãe, professora de Ana Maria. Agora, acompanhada do jornalista da Revista Globo Rural Vinícius Galera, a dupla pretende realizar um documentário sobre a vida de Primavesi. Foi nesse contexto que a dupla visitou recentemente o acampamento Paulo Botelho, em Ribeirão Preto-SP.

A intenção foi conhecer a estrutura do MST, colher informações, conhecer pessoas, aprofundar a pesquisa de campo para o documentário sobre a vida desta pioneira da agroecologia no país: “O livro irá virar um documentário. Eu estou pesquisando, levantando dados, colhendo informações, material. Eu estou fazendo pesquisa como se estivesse começando tudo de novo. Eu não sei se isso vai entrar no documentário ou não, mas a ideia é pesquisar, levantar, de novo, informações, conhecer pessoas para ver como a gente vai montar essa história”, afirmou Virgínia.

 No final do dia, a professora Virgínia Mendonça Knabben afirmou: “Já era simpatizante. Eu estou muito feliz de estar aqui. Eu vi nos olhos das pessoas essa coisa de lutar por uma coisa que acredita, que é justa e legítima. Eu sabia que ia ficar muito tocada, mexida, ia gostar muito, mas superou muito o que imaginei”.

“Não vai haver outra Ana Maria Primavesi”. É com esta certeza expressa pela autora de sua biografia que todos nós esperamos pelo documentário. Enquanto este não vem, fica a dica de leitura: Ana Maria Primavesi - História de Vida e Agroecologia.

No final, encerrando o dia, um café da tarde com produtos produzidos pelo acampamento Paulo Botelho foi oferecido a todos os presentes.

















































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