sábado, 16 de janeiro de 2016

Museu, uma complementação do Turismo! Por Marcelo Botosso*



           Prédios que atualmente abrigam o museu histórico (primeiro plano) e o museu do café (ao fundo), ambos mantidos pela Prefeitura de Ribeirão Preto



Nos difíceis e quase sempre arbitrários esforços de classificação, o lugar do museu no turismo pode ocupar a categoria de Turismo Cultural.

Em linhas gerais, o deslocamento de um indivíduo ou grupos de indivíduos de uma região à outra a fim de visitar determinado museu ou vários museus, não é outro movimento senão Turismo, seja ele nas mais variadas e possíveis tipificações (cultural, pedagógico, científico, histórico etc).

A equação é tão simples quanto óbvia: assim como uma escola não possui razão de ser caso não exista a figura do aluno, na mesma proporção o museu não tem sentido caso não exista o visitante, dentre eles o turista consumidor cultural.

Cada vez mais as instituições museológicas buscam propagar a sua mensagem ao público de maneira dinâmica, sobretudo a partir da recusa da concepção ultrapassada de museu enquanto apenas um depósito de coisas velhas. Não raras vezes essas instituições estão fazendo o uso de multimídia, inovações tecnológicas e os mais variados instrumentos, como a criação dos seus setores de comunicação.

Sinalização, comunicação visual, ambiente adequado à proposta, uniformidade de seus códigos, a disponibilização de dados em rede, a utilização crescente de monitores e guias bilíngues são fatores que fazem atingir o nível de hospitalidade no museu, componente conclusivo para que o visitante tenha conforto e bem-estar, retornando e, por vezes, indicando-o a potenciais visitantes.

Nesse sentido, o museu tornou-se um apêndice necessário do Turismo, superando não somente a deficiência conceitual, mas também preconceitos. Negligenciar a inter-relação entre turismo e museu é um erro tão crasso quanto irresponsável, principalmente quando se envolve verba pública.

Além da geração de renda, que é um objetivo intrínseco do Turismo, o desenvolvimento da atividade turística associada ao patrimônio material e imaterial pode, ainda, ser um agente propagador e que impute certo dinamismo na cultura. Cabe às instituições museológicas promover a salvaguarda e a garantia da preservação, evidenciando os sítios e monumentos que constituem uma parte privilegiada do patrimônio da humanidade.

Ao setor de comunicação do museu estabelece-se a voz institucional que, se servindo de inúmeros recursos, dialoga com o público geral podendo dar ênfases em ações para o público pretendido. A integração entre espaço museal e turismo dá origem às atividades comerciais inerentes, como bilheterias, livrarias, lojas de souveniers, cafés, transportes, entre outras.

O importante papel educativo dos museus acabou por motivar inúmeras reflexões que estão a ampliar a atuação dessas instituições junto aos escolares, como também em outros públicos de visitantes, sendo eles turistas ou locais.

A valorização do patrimônio pela sua importância histórica ou pela relevância para a identidade local é, sem dúvida alguma, a matéria-prima fundamental para sua oferta enquanto produto turístico. Portanto, para que patrimônio e turismo possam ter uma boa e produtiva convivência, é necessário planejamento, o que inclui clareza de regras, controle e permanência tendo o objetivo de disponibilizar o atrativo com o mínimo impacto que a atividade turística possa gerar.

Preservar o patrimônio é preservar a memória e a identidade de um povo, de uma cidade, de uma região ou de uma nação. Cabe o ditado: 'preservar para conhecer, conhecer para preservar'. Nessa perspectiva, museu e turismo se encaixam com a exatidão de peças de um quebra-cabeças, cuja figura não seria outra senão a própria sociedade.

Com a palavra a política ribeirão-pretana de museus e Turismo.
          

*Marcelo Botosso foi Secretario de Turismo de Sales-SP e é Historiador da Estância Turística de Salto onde atua no museu histórico municipal.

Um comentário:

  1. Excelente texto!
    Há um certo esquecimento entre a preservação da memória de um povo e a conservação de sua marca na história. Ou será falta de vontade política mesmo?

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