segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

2016 vai começar: céu carregado sobre a soberania nacional e a classe trabalhadora!


O ano político de 2016 vai começar e as dificuldades para a soberania nacional e a classe trabalhadora permanecerão.

A Lava Jato e seus acordos midiáticos continuarão sua saga seletiva: denúncia contra petista ou peemedebista (para ferir o governo) dá manchete, denúncia contra tucano, silêncio. Nesses últimos dias houve mais uma delação contra Aécio Neves e o PSDB, e hoje (11/01/16) sai a delação de Cerveró dizendo ter existido uma propina de 100 milhões para o governo FHC em 2002 na compra de uma refinaria argentina.

Mas a parceria Lava Jato-mídia prefere atacar o Ministro Jaques Vágner, logicamente mostrando as reais intenções do acordo de Curitiba (que tem força inclusive para emparedar o ministro da Justiça): destruir o governo petista.

Ninguém sabe o que poderá vir deste verdadeiro show de horrores montado à revelia da legalidade democrática, mas uma certeza há: a soberania nacional e a classe trabalhadora seguirão sendo ameaçadas.

O TCU, outro braço de apoio do conluio golpista, vai buscar fazer queda-de-braço com o governo em torno da lei dos acordos de leniência, que permitirão o prosseguimento dos contratos firmados pelas construtoras principalmente no setor petrolífero. O desemprego e a paralisação causados nessa área são criminosos e apontam claramente o pré-sal como um alvo do golpismo anti-nacional.

Para o golpismo, é preciso a todo custo destruir as bases do pré-sal e, assim, destruir as bases de um dos pontos centrais da reconstrução da indústria nacional brasileira. E a pressa se justifica, porque os preços baixos do petróleo não durarão muito mais tempo e quando o preço se recompuser, o pré-sal vai bombar.

Eduardo Cunha será derrubado no STF, mas a qual custo? Deixá-lo no comando da Câmara neste recesso foi bem mais que irresponsabilidade da Justiça, foi resultado de cálculo político. O que será oferecido em troca da cabeça de Cunha? O impeachment? Não sei, mas coisa boa não vem por aí.

Eduardo Cunha é o símbolo maior de um sistema político tornado podre a partir do financiamento empresarial. A pústula foi vazada pelo STF com a proibição das doações empresariais, mas o pus ainda não saiu todo. Junto ao PMDB, representante maior do fisiologismo, gravita todo mundo, do PT ao PSDB, e isso envolve muitos interesses.

E a Presidenta Dilma? Bem, depois de um 2015 terrível e um fim de ano mais tranquilo por causa da mobilização da Frente Brasil Popular em defesa do seu mandato, ela vem com a Reforma da Previdência! O PT venceu quatro eleições seguidas com uma agenda social e nacionalista, a parte progressista da sociedade clama por mudanças na economia, sua honra pessoal inatacável se coloca como uma ferramenta fundamental de recuperação do apoio popular e ela vem e dá um aceno gigantesco ao mercado? Das duas, uma: ou Dilma está regendo a bandinha do Titanic ou é uma mulher que gosta de viver perigosamente.

As eleições deste ano trazem um risco e uma incógnita. O risco é de o avanço conservador visto na composição da Câmara dos Deputados avançar pelos municípios, com o enfraquecimento dos partidos de esquerda, principalmente o PT. A incógnita será o desenrolar da campanha sem a grana empresarial. Se a direita avançar nos municípios, a ameaça sobre os direitos sociais e trabalhistas se agigantará.

Já neste mês de fevereiro a Frente Brasil Popular voltará a se mobilizar num grande ato em Brasília em defesa dos trabalhadores, contra o golpismo e por mudanças na política econômica. Não resta outra alternativa: unidade e luta. E será fundamental a unidade dos movimentos populares no nível municipal, criando uma pauta conjunta de defesa de políticas públicas que apontem para avanços sociais e contra retrocessos. As bandeiras unificadas dos movimentos populares servirão de pauta de debate com candidaturas progressistas, única forma de buscar ampliar o diálogo na sociedade e combater a direita nessa seara atual.

Ricardo Jimenez

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