terça-feira, 25 de agosto de 2015

Mentiras constantes se tornam verdades? Por Cláudia Cantarella




Hoje, levantei-me pensando no que minha sobrinha, psicóloga judicial, disse-me sobre ficar penalizada quando ouve histórias de crianças- principalmente meninas-que temem os pais porque, desde bem pequenas, escutam, das mães, após a separação do casal, que estes irão agredi-las, violentá-las. Ao serem questionadas sobre o comportamento dos pais, muitas afirmam que eles não são agressivos, são gentis, mas mesmo assim, elas os temem.

Deve ser bastante difícil alguém acreditar em algo diferente daquilo que ouviu por um longo tempo e desconstruir um pensamento que ficou intrínseco, já que a criança ouvia e não tinha discernimento para sabê-lo verdadeiro ou não.

Sou professora de Ensino Médio, trabalho com jovens entre 15 e 18 anos, e não é raro vê-los surpresos quando me posiciono politicamente contra o “Fora Dilma” e, claro, indagam o porquê. Aí, então, pergunto a eles se são a favor das Cotas, do Bolsa Família e descubro que muitos deles são beneficiários de alguns programas como O Primeiro Emprego, O Pronatec, entre outros, ou têm irmãos que usufruem ou já usufruíram de alguns deles. 

Pergunto se eles acham importante o ENEM e todos dizem que sim. Então lhes explico o que é o ENEM, o que era antes da gestão Lula e as ampliações dele feitas no governo Dilma Roussef. Em geral, ficam bastante surpresos, por que, então, pais e irmãos mais velhos de alguns deles acham que Dilma deveria sair?

É porque, no fundo, eles não acham, eles repetem um discurso que vem sendo constantemente disseminado, um discurso nazista que acusa o PT, o Lula, a Dilma de inventores da corrupção, de ladrões do povo... e de todo um arsenal de xingamentos e ofensas sem provas. Diariamente... Muitas vezes ao dia. A população vê televisão sempre que pode, e a voz desta tela mágica age como a mãe egoísta que não quer ver o filho equilibrado e feliz, mas quer se vingar do homem que a deixou, muito provavelmente porque descobriu nela, entre outras razões, a mesquinhez e o egoísmo.


É preciso que cuidemos dessa população e que a alertemos sobre essas doses cavalares e constantes de insensatez que lhe andam destinando, porque, essas mentiras jamais serão verdades, mas a História é repleta de vítimas que morrem no lugar de seus algozes e não podemos deixar que essa população míope atue como um mandante de mais uma injustiça nessa mesma História.

Cláudia Cantarella

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Os Três Patetas contra a Rainha de Copas

Esse é o trio do impeachment:
Senador mineiro-carioca, safo em blitz e aeroportos e que dizia aos quatro cantos na campanha que iria adotar "medidas impopulares" caso vencesse. Por isso o povo brasileiro o rejeitou nas urnas. É o comandante em chefe de uma turma de revoltados online que se vestem com a camisa da CBF-Nike.
Deputado do baixo clero: chegou no terceiro cargo da República somente para tentar desestabilizar o governo eleito e, de quebra, usar o cargo para tentar se safar da cadeia. É ídolo da mesma turma que se veste com a camisa da seleção.
Ministro tucano do STF: grande analista anti-petista, quase tão bom quanto arnaldo jabor ou reinaldo azevedo. Solta banqueiros e médicos quantas vezes for necessário. Segura a votação que proíbe as doações empresariais, para não quebrar as campanhas tucanas, enquanto condena aquelas que foram feitas para o PT.
Enquanto isso Dilma inaugura canais da Transposição do São Francisco, faz acordos de investimentos internacionais, busca a governabilidade e o pré-sal se aproxima dos 1 milhão de barris/dia.
É a batalha da rainha de copas contra os três patetas.


Ricardo Jimenez

domingo, 23 de agosto de 2015

Aécio e seus eleitores (a maioria deles): farinhas do mesmo saco!


A maioria dos revoltadinhos de ocasião, daqueles que xingam na internet àqueles que desfilam com a camisa da CBF, são "aecistas" e, assim como o mestre, são e agem como perfeitos hipócritas e demagogos. Alguns conseguem até manter o ar descolado do chefe, são safos, outros não conseguem jamais esconder a tosquice e a boçalidade de suas almas. 

O "aecista" clássico é um despolitizado que vive a distribuir ódio e preconceito quando não tem seus desejos atendidos

Aécio foi pego na blitz e "deu um jeitinho", pra depois recompor o ar falso de "defensor da moral". Assim é o "aecista".

Aécio usou dinheiro público para fazer um aeroporto na fazenda de sua família e tratou isso como natural, afinal, ele é o coronel. Assim pensa o "aecista".

Petistas são "ladrões", "comunistas", "corruptos". Eduardo Cunha, não, ele precisa ser julgado antes de ser condenado. "Ao que me convém, tudo", pensa o "aecista".

Aécio e a maioria de seus eleitores são o retrato de um país coxinha, falso moralista, hipócrita, que gosta de pose, de fotografia, de passar uma imagem de bacana, de bela viola, enquanto por dentro é um pão bolorento.

Aécio e o "aecista" representam um país arrogante, que se acha superior aos outros, que carrega no perfume, nos salamaleques; um Brasil janota, falso, mentiroso, empolado.

Aécio e o "aecista" representam aquele tipo de gente que adora tirar retrato sorrindo, posando ao lado de bacanas, geralmente mais ricos que ele, só para parecer o bonzão, levando como farsa uma vida que é drama na realidade.

O silêncio de Aécio a respeito de Cunha e a aceitação tácita de se aliar a quem quer que seja só para chegar em um objetivo ou destruir um adversário, demonstra o caráter dessa gente.

Na verdade, eles não suportam ter que dividir o país que achavam que lhes pertencia com o povo que até então só os servia. Não suportam ter que conviver com gente que traz consigo, sem vergonha, os dramas reais de suas vidas e despejam isso em todos os lugares.

O "aecista" não suporta a autenticidade do povo e nem a democracia, quando esta não o favorece.

Ricardo Jimenez

sábado, 22 de agosto de 2015

TV O Calçadão no movimento por moradia em Ribeirão Preto!


O Calçadão na luta por moradia!


O Calçadão esteve hoje acompanhando a assembleia do Movimento Livre Nova Ribeirão, que congrega 4 mil associados na luta por moradia popular. Foram 600 famílias que já conquistaram sua casa na parceria com o Programa Minha Casa Minha Vida, mas, segundo o Presidente do MLNR, Marcelo Baptista dos Santos, há ainda 30 mil pessoas esperando para conquistar seu sonho.

O Calçadão presenciou o ambiente de esperança e mobilização e teve a oportunidade de conversar com as lideranças e beneficiados. Veja a reportagem abaixo.

Ribeirão Preto é uma cidade excludente, onde impera a especulação imobiliária, mas a luta popular acontece, envolve milhares de pessoas e mostra força.

Muitos resistem em ocupações, como a que ocorre no bairro Heitor Rigon, onde boa parte das cerca de 400 famílias são remanescentes do processo de urbanização de favelas do jardim Marchese. Situação que se encontra o casal Sandra e Benedito, ela de Salvador e ele de Araraquara, ambos há mais de 20 anos em Ribeirão Preto.

O blog O Calçadão cumpre o seu papel de dar voz às lutas populares e seguimos sendo o canal aberto para o diálogo das forças progressistas de Ribeirão Preto, sempre no intuito  de contribuir para a formulação de um projeto de cidade, da periferia para o centro.

O Calçadão: Uma Cidade para Todos!







sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Professora Cláudia Cantarella colabora com O Calçadão!



O Calçadão abre espaço para amigos e colaboradores que tenham algo a dizer para nossos leitores, sempre na perspectiva das lutas populares, progressistas. Com visão humanista e de esquerda.

O lema do nosso blog é "Uma Cidade para Todos".

Nossa primeira colaboradora é a professora Cláudia, de Ribeirão Preto, que divide agora conosco um texto de sua autoria.

"E no meio do caminho tinha uma pedra...".


Malabares

Vi-o hoje pela tarde, na esquina de uma rua central, fazendo malabares, cabelo moicano ou punk, não sei identificar. A última vez que vira Arthur, de longe, como hoje, era show do Zeca Baleiro, na Feira do Livro de 2008 e ambos cantavam; um no palco, outro, no chão: “Ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar”.

Sentava-se na segunda carteira da segunda fileira à minha esquerda. Inteligente, miúdo e bonito. Naquela ocasião, penteava os cabelos como qualquer outro garoto de sua idade. Fazia poesia. Entendia tudo o que se explicava na aula. Falava pouco e pensava, sonhava...voava muito.

Até hoje tenho dele um poema guardado. Tinha um bom tom de voz e eu sempre lhe pedia para que lesse. Lia para nós o Augusto dos Anjos, os textos de jornais e do livro didático e o Drummond, das crônicas e dos poemas gauches da vida. Sua cara de anjo torto era de um Arthur filho de um pai alheio, drogado pelos cantos da casa. A mãe casou-se novamente e o padrasto detestava-o. Mandaram-no seguir seu caminho, fora de casa, em outra arena....

E agora, Arthur? No começo, perdido, entre o aqui e ali, depois: drogas, polícia e noite no conselho tutelar...pelo menos acabara tendo um canto para dormir vez ou outra. Na casa da avó não ficaria, o caminho escolhido não poderia ser outro.

E agora, Arthur, o que fazer com toda poesia que guarda dentro de si? O que fazer com a timidez que sempre disfarçava? É preciso um cabelo em pé e roupas pretas e sujas para ser notado em meio a tantos outros que passam despercebidos pelos bueiros das famílias e pelas ruas coloridas....

E agora, Arthur? Não posso mais ler o que escreve...será que você ainda escreve? 

Um outro Arthur, mais próximo e próspero manda-me um recado por uma rede social: “tia, passei no vestibular, segundo lugar. Serei doutor pela UNESP”.

Defenderá a vida? Certamente. Inteligente, brilhante, redações pontuais e decisivas... (será que escrever bem é um dom dos arthures?). Bonito e bem tratado: pai-irmão bem sucedido, mãe-abrigo e professora. Casa bonita, amigos companheiros e uma namorada para aprender a amar. Que alegria, que menino feliz...por bênção ou por sorte dos malabares da vida.

Nasceu lindo, olhos suaves. Apesar de mais de 1.90m, um gosto ingênuo por tudo, um jeito de quem nunca vai crescer. Movido pelos sonhos tão bem amparados e resolvidos, passo a passo, tempo a tempo.

Penso nesses meninos e em tantos outros e penso qual dos malabares escorregou e caiu para que o Arthur moicano esteja nas ruas, dormindo pelos cantos, tropeçando nas próprias pedras que ele eleva no ar. Talvez precisemos olhar melhor para esses malabares, o que há de errado com eles? Por que escorregam? 

Ou simplesmente sigamos, convivendo e cruzando- em shows gratuitos, em semáforos centrais- com meninos que escrevem ou escreveram bem um dia. No meio do caminho não faltarão pedras: para uns, leves, para outros, verdadeiros morros, mas não belos como os de Drummond que o Arthur moicano lia naquele ano, na sala de aula, um dia.

Cláudia Cantarella 


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Por que não discutir gênero e diversidade sexual na escola?

O Plano Municipal de Educação, PME, está prestes a ser votado na Câmara dos Vereadores de Ribeirão Preto. Conforme relatado aqui anteriormente, trata-se de um plano ambicioso fruto de intensas e calorosas discussões ao longo dos últimos meses. No entanto, assim como aconteceu com o Plano Nacional de Educação, PNE, existe uma pressão muito grande de movimentos de grupos religiosos para que a questão do gênero seja suprimida do texto.

No PNE, aprovado o ano passado pela Câmara dos Deputados, em Brasília, constava:
“Art. 2 - São diretrizes do PNE:
[...]
III. a superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual”.
Esse texto foi substituído por outro
“Art. 2 - São diretrizes do PNE:
[...]
III. superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação".

A partir dessa pequena mudança, outras partes do texto (estratégias para que a metas sejam atingidas) foram refeitas. Trata-se de uma pequena mudança em termos de linguagem, mas com um grande significado. No primeiro texto torna-se explícito que gênero e orientação sexual são fatores de desigualdade educacional (e social) e, portanto, superá-los faz parte de uma educação para o exercício pleno da cidadania. Já o trecho modificado deixa implícitas as formas de discriminação que devem ser superadas e, devido às modificações no restante do texto, parece que as questões de gênero e orientação sexual não fazem parte daquelas que devem ser superadas.

Esse movimento de suprimento das questões de gênero e diversidade sexual nos planos de educação tem acontecido em todas as esferas e em inúmeros municípios sob forte pressão de grupos religiosos muito bem organizados (a bancada da Bíblia) e com forte influência política (um fiel = um voto) sobre alguns agentes públicos que temendo a repercussão negativa nesses grupos acabam por ceder à pressão. Da mesma forma, esse movimento também tem servido de plataforma política para alguns líderes religiosos (os deputados e vereadores pastores) que se aproveitam da ocasião para se autopromoverem pautando as suas decisões políticas pelas suas próprias convicções religiosas jogando pelo ralo o ‘Estado Laico’. É nesse contexto que o PME de Ribeirão Preto será votado.

O PME/RP faz 18 menções a palavra gênero. Grande parte delas é ligada a formação dos educadores para que possam principalmente lidar melhor com essas questões na escola. Cabe lembrar que grande parte dos educadores e funcionários das escolas não estão bem preparados para lidar com estas questões, mesmo porque eles foram formados em outros tempos em que tais questões eram omitidas e negligenciadas. No entanto, com o passar dos anos, estas questões foram emergindo e, portanto, é fundamental que eles sejam formados para lidar com elas. Trata-se de fato de uma educação que preza pelo respeito ao educando que preza pelo respeito à diversidade e não que faça propaganda em favor de alguma forma de exercício da sexualidade (como muitos grupos argumentam por ae).

Defender a manutenção das questões de gênero e diversidade sexual no PME é fundamental. Por outro lado, é preciso tomar muito cuidado para não cair no jogo de certos políticos e religiosos e alimentar os holofotes que eles querem para si. 

Enfim, por que não discutir gênero e diversidade sexual na escola? Não há motivos para não discutir. Se queremos uma sociedade mais justa, se queremos acabar com a desigualdade educacional e social e se, de fato, queremos erradicar todas as formas de discriminação, devemos começar a discutir tais questões na escola e, para isso, devemos preparar nossos educadores para tal. Omitir tais questões do PME é legalizar o negligenciamento da discriminação, da desigualdade educacional e social e da evasão e repetência de certos grupos de pessoas já há muito tempo é tão vulnerável. 

Ailson Vasconcelos da Cunhaprofessor e doutorando. Um eterno aprendiz.

Meções do PME/Ribeirão Preto à palavra Gênero
"Assim sendo, foi adotada, no contexto educacional, uma série de dispositivos que visam à proteção e à promoção de direitos de crianças e adolescentes, o que inclui as temáticas de identidade de gênero e orientação sexual na educação. O trabalho com a orientação sexual dispõe-se a redimensionar a prática pedagógica, legitimando e balizando o papel do educador para que abranja Plano Municipal de Educação de Ribeirão Preto o tema em sua complexidade, contribuindo, desse modo, com a aprendizagem e construção de novos conhecimentos, pautados no respeito a uma sociedade pluriétnica, pluricultural e multirracial". P04
1.3.9. Incluir formação para gestores, professores e demais profissionais da área a respeito das temáticas: relações étnico-raciais e culturais, sexualidade e gênero. P11
1.3.12. Elaborar e atualizar os projetos pedagógicos das escolas, a partir da revisão da política e das orientações curriculares da educação infantil, contemplando as temáticas étnico-raciais, sexualidade e gênero conforme estabelecido no item anterior, envolvendo os diversos profissionais da educação, bem como os usuários. P 11
2.3.21 Garantir a participação dos professores na escolha e aquisição de materiais didáticos e paradidáticos, coerentes com o projeto pedagógico da escola, considerando os alunos com necessidades educacionais especiais (NEE) e as temáticas que envolvem as relações étnico-raciais, as questões de gênero e orientação sexual. P23
3.4.18. Garantir nos currículos escolares conteúdos sobre sexualidade; diversidade quanto à orientação sexual e relações e identidade de gênero, por meio de ações colaborativas intersecretarial, dos Conselhos Escolares e sociedade civil. P31
3.4.19. Estabelecer estratégias para a elaboração e avaliação das diretrizes municipais para a Educação em Sexualidade e Gênero e sua implementação. P.31
3.4.20. Oferecer cursos e oficinas permanentes aos professores e funcionários como forma de superação do preconceito sobre sexualidade, diversidade quanto à orientação sexual, relações de gênero e identidade de gênero. P31
3.4.21. Proporcionar aos profissionais da educação e outras lideranças na área, possibilidade de participação em eventos para intercâmbio e troca de experiências na área de Gênero e Diversidade Sexual.p31
5.3.29. Garantir no currículo da educação integral conteúdos sobre sexualidade, diversidade sexual, relações de gênero, por meio de ações colaborativas intersecretarial, dos Conselhos Escolares, equipes pedagógicas e sociedade civil, estabelecendo estratégias para a elaboração e avaliação das diretrizes municipais para a Educação em Sexualidade e Gênero e sua implementação em diálogo com o Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual.p.55
6.3.7. Incentivar a construção pelos poderes públicos de propostas político-pedagógicas considerando os aspectos etários, geracionais, etnicorraciais, de gênero e alunos com necessidades educacionais especiais da EJA, visando a garantir o direito à escolarização. P.61
8.3.12. Promover fóruns de discussão sobre as diretrizes dos cursos de formação inicial e continuada dos professores, com o objetivo de incluir a abordagem de temas relativos a: gênero, educação sexual, ética, justiça, pluralidade cultural, meio ambiente, saúde, questões étnico-raciais e dos movimentos sociais, atendimento à diversidade e temas locais, bem como conteúdos atitudinais.p. 69
8.3.17. Dialogar com as instituições de Ensino Superior no sentido de incentivar a criação de disciplinas e ou cursos que abordem a temática das relações étnicos raciais, de gênero e de orientação sexual. P70
8.3.18. Estimular e apoiar iniciativas para o envolvimento das IES em fóruns de discussão e ações formativas sobre diversidade cultural étnico racial e de gênero. p.70
No que se refere à participação dos gêneros, conforme Tabela 1.2, a população ribeirãopretana é predominantemente feminina. Em 2014, para cada 100 mulheres, havia 97 homens (SEADE, 2014). Tabela 2 - População por gênero, segundo grupos de idade, para a região administrativa de Ribeirão Preto, no ano de 2014. P.97 

Enterrado o golpe, Dia 20 tem que ser pelo Pré-Sal!



"Tem coisas que temos que ter posição firme. Enquanto eu for Presidente, vou lutar até a minha última força para manter a lei de partilha no pré-sal", Dilma.

Essa frase mostra que a Presidente, a despeito dos erros que tem cometido, tem uma noção clara do que está em jogo na atual crise política.

Quando Aécio achou que havia vencido, anunciando Armínio Fraga no Ministério da Fazenda, Dilma e os movimentos sociais se aproximaram e com um discurso à esquerda, com compromissos com o aprofundamento da agenda social, Dilma se fortaleceu e venceu a eleição.

Derrotada, a direita viu na crise política a sua saída. O conluio mídia-tucanato saiu de armas na mão tensionando a corda até o limite, contando com a ajuda do próprio governo e seus incríveis erros iniciais.

Lava jato, transmissões ao vivo de micaretas coxinhas e o esfacelamento da base parlamentar via Eduardo Cunha são as armas de que dispõe.

O jogo que leva à crise política tem um só objetivo: enfraquecer o governo para forçá-lo a aplicar na prática a agenda que foi derrotada nas eleições.

E se a nata empresarial e financista, incluindo a Globo, julgou que o golpe seria um tiro no pé e aliviou a tensão (até porque eles sabem que Aécio não é nada), o garrote em torno do governo permanece. "Dilma fica, mas como cordeirinho, fazendo aquilo que queremos".

E o pré-sal é, acima de tudo, a joia da coroa para eles. A aliança Serra Renan está fortíssima.

Por isso O Calçadão diz: dia 20 tem que ser contra o golpe, pela democracia, pela legitimidade dos 54 milhões de votos, pelos direitos dos trabalhadores, mas tem que ser pelo pré-sal!

Da mesma forma que a unidade pela esquerda fez de Dilma a vencedora de uma eleição duríssima, será a unidade pela esquerda que poderá conduzir o seu governo ao enfrentamento da coação que sofre.

E a pauta do pré-sal é unificadora, o pré-sal é o novo "o petróleo é nosso"!

Que o próximo dia 20 seja o início da unidade dos progressistas, dos movimentos sociais em busca de resgatar o governo Dilma e disputar novamente o poder contra a elite e contra a mídia.

Que o próximo dia 20 seja a aproximação definitiva de Lula com o povo, pois se tem alguém que possui legitimidade em pré-sal e no seio do povo esse alguém é Lula.

Ricardo Jimenez

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Homem, branco, velho, eleitor de Aécio e de classe média, eis o perfil do manifestante.


Dados do Datafolha sobre o perfil do manifestante: 61% homens, 40% com mais de 50 anos, 76% com curso superior, 75% se declaram brancos, 77% votaram no Aécio e 42% tem uma renda familiar que varia entre 8 e 16 mil reais mensais. São anti-petistas absolutos e defendem o impeachment mesmo que para isso tenham que apoiar Eduardo Cunha.

Repetimos, então, a nossa análise expressa no artigo: Após fracasso do golpe, sobram Aécio e os "manifestantes da CBF"!: aqueles que foram às ruas ontem representam o que restou dos mais extremistas eleitores de Aécio, uma parte da classe média muito sensível ao discurso midiático, que não suporta a ideia de ter que pagar mais para que milhões possam ter também o direito de melhorar de vida e que veem na "justiça"/"justiceiros" o caminho salvador para "limpar" o país, no caso a "ameaça comuno-petista".

O juiz de Curitiba e seus "meganhas" surgem como heróis contra aqueles que querem "meter a mão no seu bolso" e compram facilmente o discurso seletivo e hipócrita do "combate à corrupção" da mídia tradicional.

Vivem num mundo bipolar, "eles contra nós", onde debates mais profundos sobre sonegação de impostos, história política, realidade das periferias, políticas educacionais e complexidade do presidencialismo de coalizão pós-ditadura não fazem parte do cardápio.

É um perfil udenista bem conhecido desde 1964 e que ganhou as ruas a partir das "marchas de junho" de 2013, quando a globo encampou os protestos e deu corpo aos direitistas.

Têm a marca da intolerância, também api uma característica peculiar dos movimentos ultra-conservadores.

Mas apesar do ódio e da obtusidade que demonstram, eles, como representantes de uma parte da classe média, podem servir, sim, de baliza para futuras ações governamentais e para as pautas da mobilização dos movimentos sociais. Eles são o grito que nos mostra que é hora de construirmos instrumentos que promovam a inclusão social taxando mais os mais ricos, mas os ricos de verdade, como os bancos e aqueles que vivem da ciranda financeira e busquemos facilitar a vida daqueles que vivem a partir do contra-cheque, principalmente dos trabalhadores que vivem com até 4 salários mínimos.

É momento de ampliar o discurso, de envolver mais pessoas em uma retomada do projeto nacional.

O perfil do manifestante "da Paulista" não é o perfil do brasileiro e nem deve ser a prioridade das ações do Estado, mas a análise de sua existência é importante. Se o manifestante da "Paulista" não é o retrato do brasileiro, onde está o que que sente o "brasileiro"?

Responder a esta pergunta é voltar para a campanha eleitoral, onde 54 milhões de brasileiros, incluindo muitos de classe média que conseguem ver e acreditar num país menos injusto, apostaram na continuidade de um governo que teve como sua maior conquista os avanços sociais.

Muitos encontram-se justamente decepcionados com o início do segundo governo Dilma.

É hora de retomar bandeiras, tanto o governo quanto os partidos e os movimentos sociais. Taxação de grandes fortunas, combate à sonegação, reforma tributária com impostos progressivos, investimento em educação, banda larga gratuita, reforma política com proibição de doações empresariais. Mas, fundamentalmente, é preciso agir na juventude, juventude que não está presente e nem representada pelos manifestante da "Paulista".

É momento de se discutir o país a partir de uma agenda que interesse àqueles que sonham com um país em crescimento com redução das desigualdades, incluindo os trabalhadores e os setores progressistas da classe média, assim como foi na campanha vencedora de 2014. E deixemos que os manifestantes da "Paulista" criem o seu próprio partido, tendo, quem sabe, uma chapa Presidencial composta por Bolsonaro/Caiado ou Aécio/Cunha, tanto faz.

Ricardo Jimenez

sábado, 15 de agosto de 2015

O ambientalista Manoel Tavares, da Associação Pau Brasil, bate um papo com O Calçadão!


Ele é engenheiro agrônomo e iniciou sua militância ambiental já na faculdade, na década de 1970. Em 1988 ajudou a fundar a Associação Cultural e Ecológica Pau Brasil. Esse é Manoel Tavares, um lutador pela causa do meio ambiente, sempre presente nos debates municipais e, assim como o blog O Calçadão, se preocupa com o futuro de Ribeirão Preto.

Manoel destaca o enfraquecimento da Sociedade Civil na atuação ambiental diante do avanço do poder econômico, o poder das empreiteiras. O resultado é a inexistência de uma política ambiental, que causa danos graves para os cursos d'água e para a cobertura vegetal da cidade.

A conversa com Manoel Tavares se insere no esforço deste blog em abrir o debate com os setores progressistas da cidade pensando em um projeto para Ribeirão Preto.

Curta a entrevista que fizemos com ele.

O Calçadão- Você tem um histórico na atuação em defesa do meio ambiente em Ribeirão Preto e tem seu nome sempre ligado ao trabalho da Associação Pau Brasil. Quando começou sua militância? Conte-nos um pouco sobre a sua participação e sobre a atuação da Associação Cultural e Ecológica Pau Brasil.

Manoel- A nossa militância ambiental começou ainda na Faculdade de Agronomia da UNESP de Jaboticabal, ainda na década de 1970, com o primeiro movimento nacional contra o uso de agrotóxicos e por uma produção de alimentos mais saudáveis. Depois, ajudamos a fundar a primeira entidade ambientalista e pacifista de cidade, a LUTAMOVIDAPAZ, sendo que remanescentes dessa entidade, junto com outros movimentos sociais e culturais, fundaram em 1988 a Associação Cultural e Ecológica Pau Brasil.

A Associação Pau Brasil, desde sua fundação em 1988, desempenhou um importante papel na defesa do patrimônio histórico, cultural e ambiental da região, atuando firmemente no resgate do Teatro Pedro II, que havia sofrido um incêndio e estava prestes a ser demolido para construção de um empreendimento comercial. Atuamos, também, na criação de todos os parques da cidade e muitas áreas verdes.

Na área institucional, participamos desde o Plano Diretor da Cidade, onde fomos responsáveis por quase todo o Capitulo de Meio Ambiente, até a criação do CONDEMA, do Código de Meio Ambiente do Município e do Plano Diretor da cidade.

A nossa entidade participou de importantes lutas como no estabelecimento do tratamento de esgoto da cidade, contra as queimadas de cana, pela defesa do Aquífero Guarani, pela reciclagem e o destino adequado dos resíduos sólidos. Fizemos várias campanhas de arborização de áreas verdes, sendo a ultima a “Tá com calor plantes Árvores”, que conseguimos, através do plantio direto e também pelo estimulo das pessoas e de outras entidades, um resultado em torno de 20 000 árvores.

Estamos lançando uma nova campanha “Não quero veneno no meu prato”, que visa conscientizar as pessoas dos seus direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor e demais legislações vigentes, onde todos os alimentos devem informar corretamente se o produto apresenta resíduos de agrotóxicos e/ou transgênicos, já que esses resíduos são extremamente prejudiciais à saúde.

O Calçadão- O tema do meio ambiente é algo que interessa bastante às pessoas, mas ao mesmo tempo os instrumentos públicos de implementação de políticas ambientais são pouco valorizados e divulgados. Nesse sentido, em sua opinião, a Secretaria do Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto é um órgão valorizado pela Administração? Em outras palavras, Ribeirão Preto tem política ambiental?

Manoel- Infelizmente os órgãos ambientais tanto municipais como estaduais vem sofrendo um desmanche cada vez maior. Não apresentam a mínima infraestrutura para exercer as suas atividades, tanto de implementação de politicas públicas, como de fiscalização.

A nossa política municipal acompanha esse processo. Aqui tentaram transformar o CONDEMA num conselho chapa branca, perdendo a autonomia, onde o presidência do Conselho, que era eleita pela sociedade civil, passou a ser exercida pelo Secretário Municipal do Meio Ambiente. Um retrocesso.

Diversas leis municipais que foram exemplo para outras cidades brasileiras foram alteradas para atender os interesses do poder econômico local, principalmente das empreiteiras.

É o caso da Zona Leste da cidade, que apresenta a maior área de recarga do Aquífero Guarani e onde foram realizados inúmeros estudos e discussões técnicas entre o Poder Púbico, a Sociedade Civil e o Ministério Público, o que resultou numa legislação de uso do solo para proteção dessa área importantíssima e responsável pela manutenção do abastecimento de água da cidade. Mas até agora nada foi feito e a ocupação e impermeabilização da área continua.

O Calçadão- A Constituição Federal e a LDB de 1996 introduziram a Educação Ambiental no currículo escolar. O senhor ou a Associação Pau Brasil tem dados sobre como esse tema tem sido tratado no currículo escolar das escolas municipais da cidade? A Associação Pau Brasil tem atividades junto aos jovens estudantes?

Manoel- Nada tem sido feito efetivamente para implementação da Educação Ambiental nas escolas do município, a não ser por algumas inciativas partindo de professores e diretores, mais nada de forma sistemática. A Associação Pau Brasil tem feito e participado de inúmeros eventos nas escolas, dentro das suas campanhas, como no caso das queimadas, reciclagem, arborização, defesa do aquífero e uso sustentável dos recursos naturais.

O Calçadão- Uma das lutas históricas da Associação Pau Brasil se dá em relação ao Rio Pardo. Como você enxerga a situação atual do Pardo na região de Ribeirão Preto? Houve avanço na recomposição da mata ciliar? As instalações das centrais de tratamento de esgoto melhoraram a condição da água, ou, Ribeirão trata 100% do esgoto antes de atingir o Pardo?

Manoel- Sim, uma das principais lutas foi pela preservação e melhoria das águas e condições do Rio Pardo, o principal rio da nossa região. Foram muitas expedições no rio acompanhados pelo Ministério Público e Policia Ambiental, denunciando os diversos focos de poluição, extração irregular de areia e desmatamento das matas ciliares.

Embora as estações de tratamento de esgoto tenham capacidade para tratar 100% do esgoto da cidade, isso não acontece de fato, pois ainda faltam as ligações de algumas regiões aos emissários e estações elevatórias, dessa forma, ainda temos 30% do esgoto da cidade que atinge o Rio Pardo sem tratamento.

A grande preocupação de preservarmos o Rio Pardo é que, no futuro, ele deverá ser a única alternativa de abastecimento de água para Ribeirão Preto, já que o Aquífero Guarani vem se exaurindo rapidamente. Hoje retiramos 13 vezes mais água do Aquífero do que a natureza consegue recarregar, e o rebaixamento dos poços vem ocorrendo rapidamente, mais de um metro por ano. Os estudos revelam que se o nível de retirada atual de água for mantido, dentro de 20 anos não teremos mais água disponível nessa reserva.

O Rio Pardo, como todos os cursos de água da região, vem sofrendo com o desmatamento ocorrido desde a década de 1970. A nossa cobertura florestal nativa, naquela época, era de 22% e hoje essa vegetação não chega a 5%. Com isso, o rio vem secando a cada ano. O nível do rio é hoje cerca de 40% do seu nível normal de 30 anos atrás.

O Calçadão- A legislação obriga a constituição dos Comitês de Bacia para tratar dos temas referentes aos principais cursos d'água de uma região. A Pau Brasil participa das reuniões e decisões do Comitê de Bacia do Pardo? Em sua opinião, como fazer para dar maior publicidade e aumentar a participação popular nessa questão?

Manoel- A Pau Brasil participa do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Pardo, mas a participação da Sociedade Civil nesses conselhos é muito relativa já que a direção e a representação das cidades são feita através dos Prefeitos, e nem sempre as prioridades são as de maior interesse das comunidades e da preservação do próprio rio.

O Calçadão- Em termos gerais, a região de Ribeirão Preto é pobre em áreas de preservação ambiental. Há como compatibilizar a cultura da cana com a recuperação e preservação ambiental? O novo código florestal ajudou ou piorou nessa relação?

Manoel- Na verdade, para que a cidade e a região tivessem uma boa qualidade de vida e sustentabilidade de recursos hídricos, precisariam de no mínimo 20% de cobertura florestal nativa a mais, além das áreas de preservação permanente, as APP. Assim, voltaríamos a ter uma cobertura vegetal que tínhamos em 1975, antes da criação do PROÁLCOOL, que desmatou o restante das matas da região para implantação das lavouras de cana.

Quando o antigo Código Florestal estava em vigor, graças ao trabalho do Ministério Publico, muitos produtores começaram a cumprir a lei, reflorestando principalmente as APP.  O novo Código reduziu essas exigências e tudo parou, agravando a situação principalmente do ciclo das chuvas e águas na região.

A seca no Estado de São Paulo, entre outros fatores, tem muito a ver com a drástica diminuição das coberturas vegetais nativas.

O Calçadão- Trazendo o debate para o nosso perímetro urbano. A política de parques municipais e de praças públicas acabou? Parques como o da Pedreira, do Morro do Cipó, das nascentes do Córrego Antártica e a construção de praças públicas arborizadas nos bairros da periferia, são, em sua opinião, prioridades dos nossos agentes públicos?

Manoel- Acho que as questões das áreas verdes urbanas nunca foram prioridade dos nossos governantes, e a situação está cada vez pior. Temos apenas 5m² por habitante de área verde, quando o mínimo recomendado pelo OMS é de 12m² para ter uma boa qualidade de vida. Nos bairros da periferia essa situação é muito pior, temos bairros que tem apenas 1 ou 2m² por morador.

O Calçadão- Temos na nossa cidade mais de duas dezenas de rios e córregos que atravessam o perímetro urbano. São corpos d'água com importância histórica no processo de povoação da cidade, como o córrego do Tanquinho dentre outros. Há como sonhar em um dia retomarmos esses rios para o uso das pessoas (consumo, lazer, irrigação de hortaliças etc.)?

Manoel- As nossas nascentes, córregos e rios que cortam a cidade serão vitais para o abastecimento da cidade no futuro pois, como está acontecendo em São Paulo, muitas nascentes e cursos de água que tinham sido soterrados começam a ser recuperados e usados para o abastecimento, além de irrigação de hortas e áreas verdes. É preciso a urgente despoluição desses cursos de água, bem como o reflorestamento das APPs urbanas.

O Calçadão- Como está, em sua opinião, a preservação das áreas de recarga do Aquífero Guarani, localizadas majoritariamente na zona leste da cidade? O Parque da Lagoa do Saibro é algo factível?

Manoel- Pouco tem sido feito e as áreas de recarga continuam a ser alvo da especulação imobiliária.
Sem essas áreas de recarga preservadas a situação do abastecimento da cidade vai ser tornar crítico dentro de poucos anos, pois dependemos dessa região para a manutenção dos poços que abastecem a cidade.

O Calçadão- As duas próximas perguntas se referem a sonhos. Nós de O Calçadão gostamos de sonhar. É possível sonhar com um projeto amplo de arborização de nossa cidade? Enterrar a fiação e colocar árvores no lugar dos postes é algo inimaginável para a Ribeirão Preto do futuro?

Manoel- Sim, como aconteceu em outras cidades, é possível sonhar com uma Ribeirão Preto mais agradável para se viver, onde a paisagem seja mais verde e sem a poluição visual que degrada o ambiente. Precisamos de uma cidade mais humana, com prioridade para os pedestres, ciclistas e o transporte público de qualidade, e por que não um metrô de superfície não poluente, como os nossos ônibus elétricos que foram desativados.

O Calçadão- Nós sabemos que a Associação Pau Brasil também debate e se interessa pela revitalização do Centro da Cidade. O nome deste blog "O Calçadão" tem a ver com a nossa convicção da importância do Centro da Cidade na vida do cidadão. Algum dia poderemos sonhar em ter o centro da cidade revitalizado, sendo o aglutinador da vida cultural e do potencial turístico histórico, com recuperação e valorização de seu patrimônio arquitetônico? O que fazer para chegarmos lá?

Manoel- Sim, esse é o nosso sonho coletivo, de ver a nossa cidade e o nosso centro revitalizado, bem arborizado e bonito do ponto de vista paisagístico, preservando o nosso patrimônio histórico e cultural. 

Para alcançarmos esse objetivo, precisamos nos organizar, participar ativamente de entidades da sociedade civil, e também saber votar com consciência em candidatos engajados com as causas sociais, ambientais e culturais, tanto para o Executivo como para a nossa Câmara de Vereadores. Sem essa participação efetiva de todos os cidadãos a cidade vai continuar a mercê dos interesses econômicos e especulativos.

O Calçadão- Por fim. A média da Prefeitura é autorizar cerca de 10 projetos anuais de "condomínios fechados" , principalmente na área sul, que liga Ribeirão a Bonfim Paulista. A continuar assim, como você enxerga o futuro de Ribeirão? Nossa referência de cidade como um amplo espaço de convivência interligado está sob-risco?


Manoel- Acredito que esses condomínios transformam a cidade em guetos de pseudo segurança. Fazem de Ribeirão Preto uma cidade fragmentada, o que afeta a convivência saudável dos cidadãos e estimula cada vez mais a intolerância e o individualismo egoísta dos dias atuais. Precisamos romper com os preconceitos e construir uma convivência harmoniosa com todos os habitantes da nossa cidade, somente assim vai ter a almejada qualidade de vida e segurança.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Após fracasso do golpe, sobram Aécio e os "manifestantes da CBF"!


E parece, enfim, que a normalidade política vai se restabelecendo. Não significa absolutamente o fim das dificuldades. Os trabalhadores têm pela frente muitos desafios pois o restabelecimento da normalidade ocorreu mediante uma capitulação do governo Dilma, o que significa um retrocesso no projeto nacional iniciado em 2003 por Lula.

A tal "Agenda Brasil" acordada com Renan Calheiros tem armadilhas sérias para a classe trabalhadora e a ameaça sobre o pré-sal ainda é real, pois o mesmo Renan parece ser o principal fiador do projeto entreguista de Serra no Senado.

Os trabalhadores e os movimentos sociais têm muitas lutas pela frente, inclusive para buscar construir forças que possam pressionar o governo, fazer Dilma retomar a defesa do avanço social como mote de sua administração.

Mas o fato é que há um avanço em direção à normalidade democrática, com um acordo que reuniu governo, empresários e trabalhadores, todos buscando um pacto inicial que permita ao país enfrentar a crise e isolar o movimento golpista gestado pelos apoiadores do candidato derrotado em 2014, o qual teve resistência até mesmo dentro do PSDB.

Dia 16 próximo sairá às ruas o que restou da campanha de Aécio: os manifestantes da camiseta da CBF/Nike. Gritarão "fora Dilma", "fora PT", "intervenção militar" e demonstrarão seu orgulho em se perfilarem ao lado de Eduardo Cunha, o seu líder de última hora na "batalha contra o comunismo do Foro de São Paulo".

Reparem como essas manifestações são idênticas àquelas que ocorriam na campanha de Aécio na orla de Copacabana, por exemplo: coxinhas vestindo camisa da seleção.

Aécio sai uma figura menor de todo esse processo. Domingo veremos (isso se houver transmissão da Globo, que eu duvido) no que Aécio se reduziu, no aliado de Marcelo Reis do Revoltados Online e de Kim Kataguiri, o analfabeto político mirim, como bem disse Paulo Nogueira certa vez.

Mas essa não é a principal humilhação de Aécio. Não. Essa é só a parte mais bizarra da coisa. A principal humilhação é não ter tido capacidade de convencer a nata do empresariado nacional a embarcar na sua nave. Isso dói e traz consequências futuras desastrosas para Aécio e seu grupo.

O tempo vai mostrar a Aécio que a humilhação que ele sofreu em Minas nas eleições é só a ponta de um doloroso processo a caminho do rodapé da história.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O Calçadão instrumento de debates!


Resultados do ENEM 2014 na Pátria Educadora: poucas novidades para a cidade de Ribeirão Preto e para o Estado de São Paulo

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais ‘Anísio Teixeira’, INEP, divulgou durante a semana os resultados das escolas no Exame Nacional do Ensino Médio, ENEM 2014. Este ano o INEP foi mais ágio e conseguiu divulgar estes dados agora no início de agosto, o que em tese pode contribuir para melhorar a qualidade das escolas ainda este ano ao indicar a elas suas áreas mais problemáticas que, por sua vez, pode proporcionar um debate entre educadores e provocar um ajuste nas suas metodologias e práticas. Trata-se de um avanço, pois, no ano passado, o INEP só divulgou tais resultados no início de dezembro quando os estudantes já haviam finalizado o ano e realizado o ENEM e os principais vestibulares do país. Além disso, as aulas já haviam sido encerradas e muitos professores já estavam de férias, de tal modo que os resultados do ano passado podem não ter sido tão bem analisados e debatidos pela comunidade escolar. E é justamente a análise e o debate desses resultados pela comunidade escolar a finalidade de sua divulgação pelo INEP.

Como uma forma de contribuir um pouco para tal análise e debate gostaria de fazer algumas considerações sobre estes resultados e compará-los aos resultados do ano anterior uma vez que já no ano passado tive a oportunidade de escrever sobre o assunto para o blog O Calçadão (leia aqui).

Em primeiro lugar, devemos ressaltar que os resultados divulgados pelo INEP (veja aqui) são bem mais completos que os resultados divulgados por outros meios de comunicação. Alguns jornais, por exemplo, se limitam a divulgar apenas a média das escolas nas áreas de avaliação do ENEM e uma média dessas notas, com a qual fazem uma classificação das escolas. Infelizmente a grande parte da população, incluindo gestores e educadores, só tem acesso a esses dados, prejudicando muito o debate.

Este ano, o INEP divulgou três conjuntos de dados sobre as escolas:
1º) Características da escola: Nesse conjunto de dados o INEP divulga dados sobre a escola:
a) Dependência administrativa: se a escola é municipal, estadual, federal ou privada;
b) Número de alunos no Censo: quantidade de alunos matriculados no 3º ano do Ensino Médio da escola de acordo com o Censo escolar.
c) Porte da escola: de acordo com o número de alunos a escola é classificada em um porte (menor que 30 alunos, entre 30 e 60 alunos, entre 60 e 90 alunos ou mais que 90 alunos);
d) Número de participantes no ENEM. Quantidade absoluta de alunos que realizaram o exame. Escolas com poucos participantes (menor que 10) não têm seus resultados divulgados.
e) Taxa de participação: porcentagem de alunos participantes no exame. Escolas com baixa taxa de participação (menor que 50%) também não têm seus resultados divulgados. Isso explica porque muitas escolas, principalmente estaduais não estão na lista.
2º) Indicadores: Conjunto de dados sobre o perfil dos alunos e professores da escola:
a) Indicador de permanência na escola: indica qual a porcentagem de tempo do Ensino Médio aluno cursou na escola. Esse dado é importante, pois muitas escolas ‘caçam’ bons alunos no último ano em busca de melhorar a nota da escola no ENEM.
b) Indicador de nível socioeconômico (INSE): de acordo com a renda da família do estudante, são indicados INSE da escola. Algumas pesquisas relacionam o INSE com o desempenho dos alunos.
c) Indicador de formação docente: Indica a porcentagem de docentes com formação em nível superior.
d) Faixa de formação docente: Com base no Indicador de formação docente são estabelecidas faixas de formação docente.
e) Taxa de aprovação, reprovação e abandono: taxas da escola com base nos dados do Censo escolar.
3º) Desempenho da escola: Para cada uma das quatro áreas avaliadas (Linguagens; Matemática; Ciências Humanas e Ciências da Natureza) e para a Redação, o INEP divulga um conjunto de dados sobre o desempenho médio da escola:
a) Média: média dos alunos da escola na área de conhecimento ou na redação.
b) Média dos 30 melhores: média dos 30 melhores alunos da escola na área do conhecimento. Esse número pode indicar grandes desigualdades na escola.
c) Percentual de alunos por nível: o INEP também mostra a porcentagem de alunos da escola subdivididos em 5 níveis de proficiência em cada área.

Esse conjunto de dados a respeito de uma escola ou de um conjunto de escolas de uma cidade pode fornecer informações importantes tanto para professores e gestores como para pessoas da comunidade escolar visando a melhoria da escola/sistema de ensino. É importante, portanto, que as pessoas responsáveis por essas informações nas escolas as divulguem e a partir dela promovam debates sobre os rumos da educação.

Taxa de participação: O INEP divulgou dados de 45 escolas em Ribeirão Preto (veja aqui), sendo 12 estaduais, uma municipal e 32 da rede privada. Esse número é inferior ao número de escolas existentes na cidade, pois conforme já foi mencionado, o INEP não divulga as notas de escolas com número de participantes inferior a 10 e com taxa de participantes menor que 50%. Chama a atenção novamente o grande número de escolas da rede estadual que não tiveram seus dados divulgados provavelmente devido à baixa taxa de participação que mesmo nas escolas estaduais que tiveram seus dados divulgados gira em torno de 60% de participação. Além disso, quando verificamos o INSE das escolas, só encontramos escolas com INSE médio alto, alto ou muito alto nos dados divulgados. Ora, ou em Ribeirão Preto não tem pobre, ou o pobre de Ribeirão Preto não faz o ENEM.

Já havia comentado em outro post (aqui) que esse é um dado revelador, pois comprova que a exclusão ocorre antes mesmo do exame de seleção. Sem o ENEM o estudante fica fora dos principais programas educacionais do governo (PROUNI, FIES, SISU, SISUTEC). Cabe nos perguntar, portanto: por que isso ocorre? Nem a Secretaria Estadual de Educação nem a Diretoria Regional de Ensino mencionam o resultado. Mas o fato é que grande parte dos alunos do ensino médio formados em escolas estaduais sequer chegam a realizar o exame demostrando falta de compromisso e/ou motivação com próprio futuro, e isto é, em grande parte, fruto de políticas públicas mal elaboradas resultando em um sistema de ensino precário e falido. E ainda por fim, somos obrigados a assistir aos mandos e desmandos do Governador Geraldo Alckmin.

INSE: Novamente quando analisamos o quadro do desempenho das escolas de Ribeirão Preto, verificamos que as escolas de maior desempenho médio têm INSE alto ou muito alto, da mesma forma como ocorre no Brasil todo. Isto é um ‘tapa na cara’ dos defensores da meritocracia: qual o mérito de se ter um pai rico que pode pagar uma escola cara para seu filho, com excelente estrutura, climatizada, com computadores e projetores em salas, onde professores jamais faltarão e que lhe garantirá, ao final do ensino médio, tirar boas notas no ENEM? Não há meritocracia nisso, há injustiça social se refletindo no ENEM. Um médico hoje que ganha 20mil reais pode pagar 2mil reais de mensalidade em uma escola que dará condições ao filho de cursar medicina em uma universidade pública. Uma empregada doméstica que ganha 1,5mil reais mensais colocará seu filho em uma escola pública estadual onde, possivelmente, ele nem sequer será motivado a realizar o ENEM que dirá fazer medicina em uma universidade pública.

Enfim... É um ciclo que precisa ser quebrado. E a ruptura desse ciclo só ocorrerá por meio da educação, por meio de bom investimento em educação, por meio de compromisso dos gestores, por políticas públicas decentes em educação. Algumas coisas estão sendo feitas, mas ainda é pouco. É preciso mais. O ENEM mostra isso. O resultado do ENEM só comprova mais do mesmo: ainda estamos longe de ser a tal 'Pátria Educadora'.


Ailson Vasconcelos da Cunha, professor e doutorando. Um eterno aprendiz.