quinta-feira, 30 de abril de 2015

Agressão aos Professores: o jeito PSDB de Governar.

Balas de borracha explodindo no abdômen, no rosto, na cabeça de professores. Gás de pimenta, bombas de efeito moral, mordidas de cachorro e muita, muita vergonha e humilhação em cima de uma categoria profissional sofrida e lutadora, os professores.

O que aconteceu no dia 29 de abril de 2015 no Estado do Paraná se insere nas vergonhas nacionais. Mais de 200 feridos em uma das atuações mais truculentas e covardes perpetrada pela polícia paranaense sob as ordens do governador tucano Beto Richa, do PSDB.

Fica como símbolo a frase do presidente da Assembleia, deputado Ademar Traiano (PSDB), enquanto os professores eram massacrados: "o que acontece lá fora não é problema dessa Assembleia".

O PSDB é um partido protegido pela mídia, pois a mídia tem no PSDB seu braço de atuação política e a sua arma para substituir o petismo em caso de vitória do movimento golpista em vigor desde a eleição de 2014. Não fosse a proteção da mídia, certamente os tucanos já seriam um anão político de fato, o que já são de direito há muito tempo.

Hipocrisia, corrupção, violência contra movimentos sociais, desmandos e uma completa incapacidade administrativa são as marcas do PSDB. Quer exemplos? Leia a Privataria Tucana, procure saber sobre o escândalo do Banestado (no Paraná), sobre a construção do mensalão tucano em 1998, sobre o cartel no metrô de São Paulo, sobre a operação Castelo de Areia, a lista de Furnas e tantas outras.

Os professores do Paraná e do Pará, dois Estados governados pelo PSDB, estão descobrindo o que é fazer greve e tentar abrir diálogo com governos tucanos. Os índios da Bahia já sentiram no lombo a forma de diálogo do PSDB na comemoração dos 500 anos em 2000, lembram? Os moradores do Pinheirinho já sentiram na pele a "democracia" de Alckmin, lembram? Mesmo os professores de São Paulo já foram exemplos várias vezes da forma carinhosa e republicana de negociação política do tucanato.

Aliás, desenvolvimento econômico, planejamento estratégico, diálogo com movimentos sociais são coisas que jamais fizeram parte do cardápio tucano. Quando comandaram o país, promoveram o maior desmonte jamais visto na economia nacional, produzindo um desemprego recorde. Na educação, além de não construírem uma única universidade, acabaram com a educação profissionalizante e jamais cogitaram em atender a histórica reivindicação de 10% do PÌB em educação, aprovada por Dilma.

Pelo contrário, o PSDB faz parte de movimentos como o Todos Pela Educação que prega claramente que o problema da Educação não é salário e nem más condições de trabalho, e sim a má formação dos professores e dá como solução a política de "meritocracia" e o aumento da "competição" entre professores através da política de bônus.

O resultado é que São Paulo, após 20 anos de tucanato, ocupa a 18o colocação no ranking nacional.

São Paulo e Minas Gerais (onde Aécio Neves foi derrotado por Dilma e por Pimentel) apresentam um quadro de estagnação econômica desde 2003! E feliz de Minas Gerais que teve coragem de mudar e experimentar uma nova forma de se governar.

Em São Paulo e no Pará, a violência cresce aceleradamente. O crime organizado comanda tudo de dentro das cadeias. Mesmo a polícia, que ataca professores enquanto tira sorridentes selfies com os idiotas do 15 de março, sofre com baixos salários e péssimas condições de trabalho.

Estudos recentes do IBGE e da PNAD revelam que foi em São Paulo o maior aumento no índice de pessoas na miséria. Enquanto no Nordeste o índice diminuiu! A situação só não é pior porque o governo federal oferece Bolsa Família e o Mais Médicos em São Paulo.

Isso tudo sem contar o descalabro no abastecimento de água, por absoluta falta de planejamento e investimentos. 6 bilhões de reais foram tirados da Sabesp e enviados para a bolsa de Nova Iorque. Em decorrência do medo da falta de água, moradores da periferia estocam em baldes e latas e a dengue avança, na maior epidemia dos últimos 20 anos.

E, para coroar o modo tucano de governar, enquanto eles fazem parte da linha de frente no ataque ao governo federal, numa tentativa insana de derrubar um governo eleito democraticamente, também propõem, junto com a FIESP e com o presidente da Câmara, o projeto da terceirização. O maior ataque aos direitos trabalhistas desde a era Vargas!

Todo o apoio aos professores do Paraná! Todo apoio aos professores paulistas em greve há mais de 40 dias!

Que esse acontecimento e toda forma de se governar deste partido anti-popular e anti-nacional sirva de alerta para os trabalhadores. Que nós possamos estar atentos para combater o golpismo e para não odiar o inimigo errado.

Ricardo Jimenez


terça-feira, 28 de abril de 2015

Agrishow: Políticos, Carrões, Escort Girls, Fora Dilma e a crise... crise?



Ribeirão Preto está recebendo novamente a terceira maior feira de maquinários e tecnologia agrícola do mundo.

A cidade está repleta de carrões de luxo, com gente de chapéu e botinas. Todos interessados nas novidades tecnológicas, principalmente nas máquinas agrícolas que praticamente trabalham sozinhas: aram, semeiam, adubam, colhem, desbastam, ensacam.

Essa é a Agrishow.


O anel viário totalmente congestionado na noite de abertura do evento e a expectativa de aumentar em 10% os negócios da feira, mostram o dinamismo de um setor que corresponde a 23% do PIB nacional: o agronegócio.

Porém, o mais interessante da feira é o seu lado B.

Lado B que mostra que há também grande interesse em outras “máquinas”, que também usam chapéu e botina, estampam um sorriso bonito e lotam os hotéis da cidade nessa época. Às vezes são vistas jantando em restaurantes de luxo acompanhadas de barrigudos senhores com cara de rico fazendeiro e que dão gorjetas de 100 reais.

Lado B que mostra um Alckmin sorridente, certamente porque é seguro com relação à imprensa amiga, sempre disposta a mostrar os manifestantes do “fora Dilma” e a esconder os professores em greve há 40 dias contra os desmandos do Governador. E também a escamotear as denúncias de pagamento a blogs caluniadores e a empresários amigos, tudo com dinheiro do Estado.

Lado B que mostra uma Kátia Abreu animada com a possibilidade de se aprovar uma lei agrícola que garanta o financiamento anual ao agronegócio e com a cotação do dólar, que possibilitará uma explosão nas exportações, para a alegria das contas públicas. E Kátia também deve estar animada por que sabe que na imprensa nada será dito sobre a enorme quantidade de agrotóxico que é usada nas lavouras brasileiras e sobre o avanço da fronteira agrícola sobre as áreas protegidas de florestas e terras indígenas.

Lado B que mostra o comunista ministro de Ciência e Tecnologia Aldo Rebelo bem à vontade junto ao agronegócio e a sempre congelada cara de Michel Temer.

Lado B que mostra uma prefeita em crise existencial, que tanto lutou para manter a feira em Ribeirão e que agora é “esquecida” pelo cerimonial na apresentação dos políticos no evento. Dárcy aparece no centro da foto, mas parece que não está no centro nem de seu próprio governo, cada vez mais abandonada pelo maior parceiro, o PMDB, representado na foto pelo deputado Léo Oliveira, como a lembrar que o chefe Baleia vem aí em 2016.

E o povo?

Bem, o povo fica bem longe de uma feira como essa. Apenas assiste pelo Jornal Nacional, enquanto lota os supermercados comprando de tudo (inclusive alimentos repletos de agrotóxicos e sementes transgênicas), lota os barzinhos nos fins de semana e reclama da Dilma. E todos verão as faixas fora Dilma mostradas no evento, enquanto que o Bonner dirá que estamos em crise, ora!

No fim de tudo, os fazendeiros sairão felizes, os políticos se entenderão e para o povo pode sobrar, desculpe a rima, a terceirização.

Ricardo Jimenez

segunda-feira, 27 de abril de 2015

1o de Maio contra a Terceirização!


De todos os prejuízos que o trabalhador brasileiro pode sofrer com a eleição de uma Câmara dos Deputados altamente conservadora, o PL 4330 (que libera a terceirização para todas as atividades trabalhistas) é de longe o pior.

O processo de enfraquecimento do governo federal possibilitou o aumento da força do senhor Eduardo Cunha que, legislando em nome de seus financiadores e em parceria com a aliança mídia-tucanato, conduz a toque de caixa a votação da matéria e chega a desafiar o presidente do Senado quando este argumentou que a matéria seria demoradamente discutida na casa revisora.

Essa matéria é, na prática, a revogação da CLT, ou seja, um golpe gigantesco nos direitos e garantias trabalhistas históricas. Golpe sempre desejado pelas organizações empresariais e seus asseclas, que nunca se conformaram em ter de dividir lucros e conquistas com o trabalhador.

No mundo todo a terceirização é tida como uma pauta regressista. O Brasil já demonstrou que é possível crescer gerando emprego com carteira assinada, com formalização do vínculo empregatício e isso precisa ser aprofundado e não extinto, como deseja o meio político-empresarial.

Se ainda há alguma dúvida sobre a perversidade contra o trabalhador, basta verificar quem são seus defensores e quem está lutando contra o projeto de lei.

Em sua defesa você verá a Globo, o PSDB, o Solidariedade (do arqui-pelego Paulinho) e a FIESP!

Já na oposição ao projeto estão a OAB, os desembargadores do TST (aqui e aqui) e, pasmem, os partidos de esquerda e progressistas, os movimentos sociais e a CUT. Sim! A esquerda brasileira, principalmente o PT, está mais uma vez defendendo a bandeira do trabalhador.

Nesses momentos que é possível a um bom observador, que mantém o fígado desobstruído, perceber quem é quem, e que às vezes, por desinformação, pode estar a odiar o inimigo errado.

O próximo dia 1o de Maio, dia do trabalhador, será um dia de luta, de resistência contra o PL 4330. 

Além de pressionar os deputados e senadores para que revejam seu posicionamento, a construção do 1o de Maio é fundamental para buscar retomar o debate nacional para o lado dos temas progressistas e deixar de lado as posturas de ódio e desinformação que tanto têm gerado prejuízo para o trabalhador brasileiro.

Em Ribeirão Preto, o 1o de Maio contra a Terceirização será comemorado com uma caminhada pelo centro da cidade e uma atividade político-cultural. A concentração se dará a partir da 9h da manhã na Câmara Municipal e a caminhada será em direção à Esplanada do Pedro II.

Participe! Construa o 1o de Maio contra a Terceirização, se informe sobre o tema, debata com seus vizinhos, colegas, amigos.

Os direitos e garantias trabalhistas são conquistas históricas do trabalhador e não podem ser revogadas por setores de um Congresso que não tem nenhuma moral política para tal e que atuam em defesa dos interesses de quem os financia.

Ricardo Jimenez

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Descomemorando 50 Anos de Enganação

O blog O Calçadão realiza neste domingo, como parte de um evento nacional de descomemoração dos 50 anos da mentira e enganação, uma foto coletiva em frente ao teatro Pedro II em Ribeirão Preto.

Domingo 26 de abril, 11 horas da manhã, esplanada do Teatro Pedro II.

Convidamos todos vocês!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A terceirização e o Precariado*


Aproveitando o feriado de 21/04 (Tiradentes), busquei colocar em ordem algumas leituras que estavam pendentes. Uma delas é um livro do Filósofo alemão Jürgen Habermas: “Sobre a Constituição da Europa” (editora UNESP, 2012). Esse livro traz uma entrevista concedida pelo Filósofo ao Die Zeit em 2008 onde ele faz um diagnóstico da União Europeia diante da crise financeira mundial.
O que mais me chamou a atenção e que podemos trazer à baila aqui é um neologismo criado por Habermas: “precariado” (Prekariat). Uma palavra surgida da união de precário com proletariado.
O que isso tem a ver com o Brasil? Muita coisa. Estamos diante de uma tentativa mesquinha de precarização dos serviços, quer sejam na indústria privada ou nos serviços público.
A aprovação da PL 4330  no dia de ontem (22/04), pela Câmara, é uma ação orquestrada pelas grandes empresas financiadoras de campanhas políticas para precarizar as condições de trabalho no país.
O surgimento de um precariado no Brasil serve aos interesses das grandes corporações e não aos trabalhadores e trabalhadoras. Nas redes sociais se acompanha manifestações contra e a favor da terceirização. Os que são a favor afirmam que a legislação atual gera insegurança e que impede a competitividade das empresas. Vamos pensar esse ponto! A insegurança jurídica reside, segundo os defensores da terceirização, no fato de que a legislação não define o que é atividade meio e o que é atividade fim. Atualmente só podem ser terceirizadas atividades meio (limpeza, segurança e tudo que não estiver ligada diretamente a razão social da empresa). Na verdade esse argumento é falso e não tem valor algum. Pois dá a entender que o dono da empresa não sabe qual a finalidade de sua própria empresa. Esse argumento cai por terra quando se questiona sobre a razão social da empresa. Se não se sabe o que a empresa faz, ela deve ser uma empresa de fachada e deve servir a interesses escusos.

O segundo argumento em defesa da terceirização é o da competitividade. Os empresários falam que o custo brasil (carga tributária e direitos sociais dos trabalhadores) é muito alto e, por isso, não dá competitividade às empresas no mercado internacional e permitem a invasão de produtos estrangeiros (chineses) no Brasil.
Segundo os que defendem a terceirização, a solução para isso seria a flexibilização das leis trabalhistas e redução da carga tributária. Simples!!! Não, não é simples assim. Existe um fator que é deixado de fora, propositalmente, quando se pensa a competitividade, o chamado “lucro Brasil”, que apesar de ter sido criado analisando os ganhos das montadoras automotivas, pode ser aplicado a qualquer setor industrial.  Esse termo se refere aos altos ganhos das empresas em relação ao custo de produção. Os que defendem a terceirização querem na verdade aumentar o lucro Brasil, e para isso é necessária a “contribuição” dos trabalhadores. Essa “contribuição” nada mais é do que a perda de direitos sociais e trabalhistas (como seguridade, 13º, férias...) e a redução dos salários e aumento na jornada de trabalho.


O que está por em voga é a precarização e a dissolução das conquistas trabalhistas alcançadas. A terceirização como garantia de direitos aos trabalhadores é um engodo, uma mentira. No final das contas o objetivo é um só: precarizar as condições de trabalho e a vida do trabalhador. Por isso, temos que dizer não à terceirização e não à transformação do proletariado em precariado.

Para ampliar as discussões compartilho um vídeo bem esclarecedor sobre o que a terceirização faz com a vida do trabalhador.

Não podemos permitir que essa lei seja aprovado no senado. Termos que falar, discutir, educar, compartilhar nossas posições que defendem os interesses dos trabalhadores. Ninguém vai rasgar a CLT!!!

Fabio Soma -  Filósofo e Pedagogo.




quarta-feira, 22 de abril de 2015

A Orquestra em Silêncio...


O protesto realizado pelos músicos da orquestra sinfônica de Ribeirão Preto contra os atrasos salariais e o rompimento do convênio com a Prefeitura Municipal por "falta de recursos" colocou mais uma vez em evidência as dificuldades por que passa a administração municipal.

O setor da cultura não podia fugir à regra. Aliás, cultura nunca foi o forte de Ribeirão Preto. Por aqui, o Teatro, a Música, o Cinema, a Dança, definitivamente não fazem parte do cardápio cultural do trabalhador de Ribeirão Preto. E, pasmem, não é por falta de interesse! Toda a vez que algo de bom gosto vai de encontro ao trabalhador a audiência é grande. O que falta é política cultural.

Em quase o mundo todo, orquestras sinfônicas são financiadas, majoritariamente, pelo poder público ( aqui ), ou seja, em países com tradição nessa arte o Estado não abre mão de prover a política cultural. Por lá, como cá, a política econômica dos tais "ajustes fiscais" tem criado dificuldades para a sobrevivência das orquestras. A reclamação é grande. Mas por aqui o resultado é a paralisação total.

Ribeirão, como de resto o Brasil, se torna cada vez mais excludente e elitista, afastando o povo da política e da cultura. Nos solidarizamos com os músicos da orquestra, como nos solidarizamos com as crianças que recebem péssima educação, com o trabalhador que recebe péssimo transporte público, com o doente que aguarda horas na fila de um posto de saúde. Nos entristecemos com a situação de uma cidade que perdeu o seu rumo há pelo menos 20 anos, enredada em dívidas e numa forma de fazer política pequena e inoperante.

Repetimos aqui a mesma coisa que dissemos no artigo sobre os 84 anos do Teatro Pedro II: o ambiente cultural de Ribeirão é feito para meia dúzia de riquinhos e o povo é totalmente afastado. 400 mil reais mensais é perfeitamente possível de ser pago para manter a orquestra, e colocá-la para tocar para o povo: nas praças, no Arena, no Municipal, no Pedro II.

Ribeirão precisa de rediscutir, se enxergar, se reinventar.

Ribeirão Preto não pode ficar à mercê dos mesmos de sempre. E o problema não é apenas Dárcy Vera. Não! Isso é ilusão. O problema é uma estrutura de poder viciada, financiada por interesses empresariais, reproduzida na troca de favores e no assistencialismo impotente. 

A Orquestra Sinfônica e o trabalhador da periferia são ambos reféns de uma estrutura política carreirista, chinfrim e falida.

Os músicos da orquestra sinfônica de Ribeirão Preto mereciam um encontro com o povo; o povo merecia um encontro com a cultura; e Ribeirão merece um encontro com um novo destino!

Ricardo Jimenez

terça-feira, 21 de abril de 2015

Tiradentes: Um Herói Nacional!

Nós de O Calçadão reconhecemos a dimensão histórica e política do Alferes e Prático Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes!

Apesar da construção e uso da sua imagem (imitando a de Jesus) feita pelos positivistas que fundaram a República, apesar o movimento de Vila Rica ter apenas a dimensão das minas gerais como reivindicação de independência e apesar das idiossincrasias da vida pessoal de cada um, que nos faz heróis e vilões de nossa própria existência, Tiradentes é um herói nacional!

Todo aquele que tombou lutando contra a tirania é um herói.

Tiradentes foi enforcado, seu corpo foi esquartejado e seus pedaços foram pendurados no caminho entre o Rio de Janeiro e Vila Rica. Morreu ao defender uma ideia. Morreu porque assumiu para si uma liderança que nunca teve. Mostrou coragem.

Sua figura e sua morte lembram a de tantos outros que tombaram lutando por uma causa, contra um poder opressor.

A tradição de matar, degolar, esquartejar e pendurar pedaços e salgar o chão de suas moradias foi usada ao longo de toda a história do Brasil: na colônia, na monarquia e na república. Sempre vinda do poder contra as aspirações legítimas do povo.

Assim fizeram com lideranças de movimentos populares como a Balaiada, a Sabinada, Os Alfaiates, os Malês, os lutadores do Contestado, os guerrilheiros do Araguaia. Assim fizeram com Osvaldão.

Viva os heróis nacionais.

Tiradentes, presente!

Ricardo Jimenez

domingo, 19 de abril de 2015

O Calçadão: 4 meses!



O blog O Calçadão foi formado há 4 meses por seis amigos que decidiram escrever sobre política e sobre o que pensam a respeito da construção de uma sociedade mais justa, honesta e com oportunidades iguais para todos.



Agradecemos todas as 8 mil visualizações e queremos mais!

sábado, 18 de abril de 2015

Ribeirão Preto: sem rumo há 2 décadas!


O blog O Calçadão, de maneira absoluta, não entra no jogo fácil de malhar a Prefeita de Ribeirão Preto. Nós do blog O Calçadão acreditamos que Dárcy Vera é apenas mais um capítulo infeliz na política de Ribeirão Preto, uma cidade dirigida por grupelhos e sem rumo há quase 20 anos.

Nós não contamos com "informantes" para dar "furos", não contamos com estrutura para fazer plantão na Prefeitura e na Câmara e nem temos patrões que nos pagam para "falar mal da prefeita" (ginástica preferida da imprensa local e de políticos oportunistas).

Não. Nós não precisamos disso para fazer uma análise sobre a realidade: Dárcy Vera não chegou ao Rio Branco sozinha e sozinha não governou!

Essa semana seu Secretário de Governo, Geraldo Ceoldo (que mora no ABC paulista), pediu demissão após brigas internas com outros secretários de primeiro escalão. Ceoldo já é velho conhecido nas administrações ribeirãopretanas, desde Jábali (há outros casos como o dele, de "profissionais" dos cargos).

Ao mesmo tempo, o PMDB começa a desembarcar do ônibus cor-de-rosa já aprontando seu movimento rumo às eleições do ano que vem. Como em administrações passadas, o PMDB comandou pastas importantes, como a Infraestrutura, a Cohab e a Coderp. Além dos já tradicionais cargos na Educação (estes nunca são entregues).

Dizem que a dívida da cidade beira os 700 milhões de reais, entre encargos para rolar a máquina e empréstimos federais para obras de infra-estrutura e mobilidade urbana.

A impressão que se tem ao ver as brigas internas entre secretários, a "saída" do PMDB e a informação sobre as dívidas (70 milhões com o IPM, 14 milhões com fornecedores e 27 milhões com a Coderp, entre outras) é a de um governo em fim de mandato, restando ainda mais de 1 ano e meio para isso.

Mais um, aliás. Pois o mesmo ocorreu com os governos de Jábali, Gasparini e o de Palocci/Maggioni (que mal começou).

Já escrevemos aqui várias vezes sobre Ribeirão Preto ser uma cidade excludente. Mas não é excludente apenas socialmente, é também politicamente.

Temos uma elite "zona sul" que faz passeatas anti-Dilma mas que não briga com a Prefeita, até porque a sua "zona sul querida" é a única região para onde a administração de fato olha e investe. Temos uma maioria esmagadora da população morando nos bairros populares repletos de problemas e esquecidos, enfrentando um dos piores transportes públicos do Brasil para ir e voltar do trabalho. E temos uma elite política que só sabe olhar o próprio umbigo e se preocupa, apenas, em garantir a sua reeleição e a manutenção de seus cargos. Elite política que sobrevive alinhada ao financiamento empresarial de campanhas, caríssimas e impeditivas para candidaturas vindas do povo.

Por isso que em Ribeirão Preto há em demasia o seguinte tipo de grupo político-empresarial: o governista (independente de quem seja o/a Prefeito/a). Até a próxima eleição, onde haverá uma nova rearrumação caça-votos.

É fato e justo que se aponte que a situação dos municípios é bastante complicada nos últimos 20 anos. Desde 1994 que o governo central concentra renda para bancar os pagamentos de juros ao capital e retira recursos dos orçamentos municipais. Os problemas de infra-estrutura e de gestão dos municípios são graves no Brasil todo. Mas uma cidade do tamanho e importância de Ribeirão Preto merecia ter uma elite política mais qualificada e mais enraizada politicamente nos movimentos populares.

Vamos recordar?

Em 2008, Dárcy venceu Gasparini pelo DEM, com apoio do PPS, PR e do PMDB. Em 2012, Dárcy venceu Nogueira pelo PSD (de Kassab), com o apoio do PPS, PSB, PR, PCdoB, PP e PMDB. Os vereadores Maurílio Romano, Giló, André, Genivaldo, Zanferdini, Cícero, Capela, Valter Gomes, Bebé, entre outros (incluindo o atual deputado estadual Léo Oliveira), formam o núcleo da base de apoio da Prefeita, inclusive com partidários ocupando cargos no Executivo.

Em uma administração, todos são eleitos juntos, governam juntos, devem dividir a responsabilidade juntos. A desinformação não é o jogo de O Calçadão, portanto, é preciso dar o nome aos bois.

Há quase 20 anos a cidade de Ribeirão Preto não tem um projeto. Todos os Prefeitos fracassaram. A cidade fracassa todo dia. Dárcy Vera sempre fez parte, como vereadora, do mesmo grupelho político que se alterna no comando do orçamento da cidade. Foi eleita com seu tradicional discurso despolitizado e assistencialista. A culpa é de todos, inclusive do PMDB.

O PSDB e o PT (que é tímido nas críticas à Dárcy por esta ter o apoio do Planalto), que rivalizam em nível nacional há 20 anos, também têm responsabilidades. O que restou da última passagem do PT pelo poder municipal entre 2000 e 2004? E o PSDB, tem mais a oferecer do que o ruralista Nogueirinha ou o "mais do mesmo" Gasparini?

Uma cidade onde o povo não participa da política, onde os conchavos de gabinete só servem para alimentar fofocas na imprensa e onde não existe nenhuma participação crítica ou propositiva vindas de instituições como universidades, sindicatos, conselhos populares, não tem futuro.

Se aproximam as eleições de 2016 e nós de O Calçadão acreditamos que será mais uma eleição onde os mesmos irão se engalfinhar de olho no "endividado" Rio Branco.

E a população? Bom, a população continuará sacudindo dentro dos ônibus.

Ricardo Jimenez

obs: quer saber mais sobre nossa posição em relação à política municipal? Então leia: Nova Entrada do Parque Curupira, A Transerp Serve pra Quê?, Quanto vale um vereador?, A Fiúsa Vale mais que a D. Pedro?, Ribeirão Parou no Pãozinho Francês?, Teatro Pedro II 84 anos, e aí?, Infraestrutura, o Patinho Feio Essencial, entre outros!

sexta-feira, 17 de abril de 2015

O Calçadão está na Descomemoração dos 50 Anos da Glogolpista!

50 anos da Globo: Vamos descomemorar!

Manifesto

A TV Globo festejará os seus 50 anos de existência no dia 26 de abril. Serão promovidos megaeventos e lançados vários produtos comemorativos. No mesmo período, porém, muita gente está disposta a promover a “descomemoração” do aniversário do império global, um ato de repúdio ao papel nocivo desse grupo de mídia na história do país. Uma palavra-de-ordem que se destaca em todo o Brasil em manifestações recentes é: “O povo não é bobo. Fora Rede Globo”. E motivos não faltam para esta revolta.

A emissora é filha bastarda do golpe militar de 1964. O então diretor do jornal “O Globo” Roberto Marinho foi um dos principais incentivadores da deposição do presidente João Goulart, dando sustentação ideológica à ação das Forças Armadas. Um ano depois, foi fundada a sua emissora de televisão, que ganhou as graças dos ditadores. O império foi construído com incentivos públicos, isenções fiscais e outras mutretas. Os concorrentes no setor foram alijados, apesar do falso discurso global sobre o livre mercado.

Nascida da costela da ditadura, a TV Globo tem um DNA golpista. Apoiou abertamente as prisões, torturas e assassinatos de inúmeros lutadores patriotas e democratas que combateram o regime autoritário. Fez de tudo para salvar o regime dos ditadores, inclusive omitindo a jornada das Diretas Já na década de 80. Com a democratização do país, ela atuou para eleger seus candidatos – os falsos “caçadores de marajás” e os convertidos “príncipes neoliberais”. Na fase recente, a TV Globo militou contra toda e qualquer avanço mais progressista, atuando na desestabilização dos governos que não rezam integralmente a sua cartilha. Nas marchas de março desse ano, ela ajudou a mobilizar o anseio golpista e garantiu a ele todos seus holofotes.

A revolta contra a Globo que ganha corpo está ligada também à postura sempre autoritária diante dos movimentos sociais brasileiros. As lutas dos trabalhadores ou não são notícia na telinha ou são duramente criminalizadas. A emissora nunca escondeu o seu ódio ao sindicalismo, às lutas da juventude, aos movimentos dos sem-terra e dos sem-teto. Através da sua programação, não é nada raro ver a naturalização e o reforço ao ódio e ao preconceito. Esse clima de controle e censura oprime jornalistas, radialistas e demais trabalhadores da empresa, que são subjugados por uma linha editorial que impede, na prática, o exercício do bom jornalismo, servidor do interesse público, em vez da submissão à ânsia de poder de grupos privados.

Além da sua linha editorial golpista e autoritária, a Rede Globo – que adora criminalizar a política e posar de paladina da ética – está envolvida em inúmeros casos suspeitos. Até hoje, ela não mostrou o Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) do pagamento dos seus impostos, o que só reforça a suspeita da bilionária sonegação da empresa na compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002. A falta de transparência do império em inúmeros negócios é total. Ela prega o chamado “Estado mínimo”, mas vive mamando nos cofres públicos, seja através dos recursos milionários da publicidade oficial ou de outros expedientes mais sinistros.

Essas e outras razões explicam o forte desejo de manifestar o repúdio à TV Globo em seu aniversário de 50 anos.
Assim, vamos realizar em torno do dia 26 de abril uma série de manifestações, em todo o país, para denunciar a emissora como golpista ontem e hoje; exigir a comprovação do pagamento de seus impostos; e reforçar a luta por uma mídia democrática no Brasil.

Sem enfrentar o poder e colocar limites à maior emissora do Brasil – e uma das cinco maiores do mundo – não será possível garantir a regulamentação dos artigos da Constituição que proíbem o monopólio para levar a cabo a democratização do país. Por isso, vamos às ruas contra a Globo e convidamos todos os brasileiros comprometidos com a democracia, a liberdade de expressão, a cultura nacional, o jornalismo livre e a soberania popular a participar das manifestações em todo o país.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O Último Suspiro dos Canastrões!

Como se sabe, Aécio Neves perdeu a eleição para Dilma em outubro último. Perderam, também, junto com ele os interesses estrangeiros sobre o pré-sal e um sistema de mídia endividado que não conseguirá sobreviver até o final da década sem poder contar com as sempre bem-vindas verbas federais.

Contando com a capilaridade construída entre a ditadura militar e o governo Sarney (quando ACM, Ministro das Comunicações, distribuiu a granel concessões de rádio e TV para apadrinhados e apoiadores da Globo) e com a adesão de figuras públicas vaidosas e pré-dispostas a fazer o jogo sujo seletivo (como alguns juízes que recebem condecorações globais), o esquema golpista insuflou o quanto pode as tais "manifestações" e a desarrumação parlamentar (elegendo seu pupilo como Presidente da Câmara) para buscar através do caos o caminho do impeachment, única forma encontrada para se chegar ao poder, já que pelas urnas são 4 derrotas seguidas.

Como já previsto aqui e aqui, o PSDB, que jamais gostou de povo e de rua (mesmo que a rua seja a Av. Paulista e o "povo" beba champanhe enquanto "protesta"), saiu de lado e busca isolar os mais extremistas (as bolsonaretes e olavetes malucas) enquanto tenta levar suas últimas fichas para onde realmente gosta e quer: o golpe burocrático, de bastidor.

É o último suspiro dos canastrões!

Veja a foto acima.

A tal operação lava-jato está prestes a sofrer um baque, quando do posicionamento de Teori Zavascki sobre o primeiro habeas corpus a chegar no STF. Sua decisão pode engatilhar uma série de outros mandados de soltura, esvaziando a gestapo curitibana e, de quebra, as dramalhonas transmissões e furos globais.

O pedido de impeachment que a tucanada quer protocolar com base nas tais "pedaladas fiscais" também vai ser derrubado e, pasmem, por um motivo simples: FHC fazia o mesmo (veja aqui).

A terceirização não passa no Senado, já sinalizando uma queda na temperatura política e um início de arrumação na base de apoio. Será Temer entregando o que tem para entregar?

Aos canastrões (todos com telhados de vidro sustentados na hipocrisia e na cara-de-pau) sobrará o jogo político. E isso é o pior dos mundos para essa gente. Não têm propostas! Não têm voto fora de São Paulo!

O momento ainda é de fragilidade e de cuidado, até porque Dilma não sabe fazer política, mas já é possível verificar que há nuvens mudando de lugar, como ensinava o velho Ulisses.

Ricardo Jimenez

terça-feira, 14 de abril de 2015

Quais Pautas Interessam ao Trabalhador?

Depois da pesquisa publicada hoje no blog Viomundo sobre como pensam os manifestantes do último dia 12, mais do que nunca fica a percepção de que este movimento tem tudo para ficar restrito aos mais exaltados direitistas seguidores de Raquel Sheherazade e Jair Bolsonaro.

Esse pessoal votou em Aécio Neves mas, ao mesmo tempo que considera o PT comunista, considera, também, o PSDB frouxo para os seus padrões de ódio e ignorância.

Coube ao PSDB o papel que cabe a todo grupo político oportunista: insuflou a marcha o quanto pode, com o apoio midiático das transmissões da Globo e tirou o time de campo nos primeiros sinais de arrefecimento.

Aliás, como já foi dito à exaustão, o PSDB se agarra num golpismo neo-udenista como única tábua de salvação para um partido sem projeto e que só sabe repetir o mantra neoliberal fracassado no mundo todo. Ao seu lado marcha a TV Globo, também no desespero contra uma crise financeira que bate às suas portas e que vê num governo do PSDB a chance de uma sobrevida, como faz a Veja com relação ao governo de São Paulo.

Apesar de tensa e aguda, a crise disseminada a partir da Petrobrás e continuada após a vitória eleitoral de Dilma (muito por culpa do desastroso início do próprio governo Dilma) não consegue atingir seu objetivo e vai aos poucos perdendo força diante da clara seletividade das investigações e de outros escândalos muito maiores, que envolvem enormes esquemas de sonegação fiscal exatamente da turma da bufunfa.

Resta ainda outra crise, a de desarrumação da base de apoio parlamentar. Eduardo Cunha faz parte de outra jogada da aliança mídia-tucanato para tentar desestabilizar o governo. Suas pautas ultra-direitistas ligadas a assuntos de comportamento, como o bizarro dia do orgulho hétero, a carola e brega lei da família tradicional, a picuinha contra a ampliação de direitos para as pessoas homossexuais são apenas a parte mais caricata de um perigo muito maior, que se expressou na aprovação parcial da lei de terceirizações e na ameaça de se votar a independência do Banco Central.

São muitas e complexas as frentes de batalha tanto para o governo quanto para o movimento social, contando ainda com um período de refluxo no crescimento da economia, fruto do retrocesso chamado Joaquim Levy. Mas o barco vai avançando e a tempestade vai ficando menos forte. O governo vai tateando suas soluções e os movimentos organizados vão se articulando.

O que restará ao trabalhador brasileiro? Quais as pautas que mais interessam a ele?

Bem, primeiro é preciso dizer que cerca de 60% dos eleitores votaram em Lula/2006 e Dilma/2010. Portanto, é com esse patamar que qualquer governo Trabalhista deve contar como base de apoio e simpatia para suas políticas e propostas. Claro que isso foi severamente corroído nos últimos tempos, sobrando os 54 milhões de votos de Dilma em 2014. Mas não significa que as pessoas que deixaram de votar no PT passaram a se identificar com pautas de Malafaias ou Bolsonaros, muito menos com o oportunismo vazio e arrogante de um FHC.

Essas pessoas estão por aí, dispostas a acreditar e construir a expectativa de um novo projeto e são, absolutamente, sensíveis à pautas progressistas e a um ambiente de tranquilidade e desenvolvimento econômico e social. O ódio coxinha não é e nunca foi ou será maioria.

Isto posto, é possível se traçar um cenário de propostas progressistas, que interessam em cheio ao trabalhador e que se harmonizam com os trabalhadores de todo o mundo, principalmente aqueles que estão sofrendo ou já sofreram na pele as agruras do neoliberalismo, como o povo europeu e latinoamericano.

Eis a pauta:
- Redução da jornada de trabalho;
- Barrar a terceirização assim como se fez com a ALCA e manter a política de formalização do emprego;
- Permanência da política de valorização do salário mínimo (já garantida mesmo em meio à crise);
- Investimentos pesados em educação (principalmente salário do professor);
-Garantia de financiamento do SUS (com um imposto de grandes fortunas e de transações financeiras);
-Garantir o desenvolvimento da indústria e tecnologia ligada ao pré-sal;
- Diminuir os juros e investir em infra-estrutura;
-Manter um câmbio adequado às exportações e diminuir os déficits financeiros dos entes federados;
- Reforma política com o fim do financiamento empresarial;
-Reforma de mídia que amplie os instrumentos de informação e interatividade do trabalhador;
-Rever o pacto federativo fortalecendo os orçamentos municipais;
-Regulamentar os conselhos populares para ampliar a fiscalização e participação do trabalhador nas decisões das políticas públicas;
- Ampliar todos os direitos das minorias como forma de garantir os direitos humanos e o avanço civilizatório no Brasil;
-Reforma agrária com ampliação da agricultura familiar e combate ao monopólio dos agrotóxicos;
-Reforma urbana e manutenção da política de moradias populares.
-Reestatização da Companhia Vale do Rio Doce (um crime cometido pelos tucanos), que deve mais de 4 bilhões em impostos ao governo federal.

São os momentos de dificuldades que nos mostram o valor da nossa luta.

Ricardo Jimenez

domingo, 12 de abril de 2015

Vetar a Terceirização, Isolar o Golpismo e seguir com a Democracia!


Muito mais pelos erros cometidos no início do próprio governo do que pelo real poder dos golpistas, o segundo mandato de Dilma Roussef tem sido de acossamento e desorientação.

A nomeação de Joaquim Levy e sua condução inicial desastrosa do chamado "ajuste", deu todas as armas para os inimigos do governo montarem os palanques do golpe político. Incitando os movimentos extremistas (que defendem do golpe militar às demais bizarrices de sujeitos como Bolsonaro e Malafaia) e se aproveitando dos lamentáveis erros do governo, a aliança mídia-tucanato conseguiu engrossar as tais manifestações chegando no limite de colocar mais de um milhão de pessoas nas ruas no dia 15 de março último.

Em que pese essas pessoas serem majoritariamente eleitores do candidato derrotado Aécio Neves, esse movimento deu força não só para a oposição como, também, para uma ala do PMDB liderada por Eduardo Cunha, este um político ligado até a alma aos esquemas de financiamento de campanhas e interesses empresariais que envolvem o jogo político de grande parte do Congresso. Não à toa, a Globo e o PSDB deram todo apoio à sua eleição como presidente da Câmara, num movimento claro de apostar ainda mais no desgaste do governo e de interromper, via crise, o debate sobre a regulação da mídia e da proibição do financiamento empresarial de campanhas (por isso Gilmar não devolve!).

A aliança mídia-tucanato, que não se conforma em perder 4 eleições seguidas para o PT, conseguiu a tempestade "quase" perfeita contra o governo: pressionado pelas ruas (com transmissão ao vivo na Globo) e desestabilizado na sua base de apoio no Congresso. Com a midiática ascensão do juiz da lava-jato a substituto de Joaquim Barbosa e com a Petrobrás envolvida numa crise, não é exagero dizer que de janeiro a março desse ano o mandato de Dilma Roussef esteve seriamente em risco, incluindo também o PT, ameaçado até de cassação de seu registro.

Mas a política é algo bem mais complexo do que podemos imaginar. O enraizamento do PT nos movimentos sociais, as disputas internas no próprio PMDB, o telhado de vidro do PSDB, a força da Petrobrás no imaginário nacionalista da população e a sede ao pote com que o capital partiu para cima dos direitos trabalhistas podem ter virado o fio do jogo político.

A aprovação do projeto de terceirização do trabalho, ferindo os direitos trabalhistas da CLT, pode ser o começo dessa virada. Essa aprovação se deu majoritariamente com o apoio dos partidos de direita, principalmente o PMDB e o sempre oportunista e covarde PSDB. No limite da tramitação desse projeto (se passar pelo Senado), o veto presidencial será o maior trunfo de Dilma para se reabilitar com a classe trabalhadora e até com setores da classe média que podem ser atingidos pelo retrocesso trabalhista.

A construção do movimento Veta, Dilma! é uma obrigação do PT e dos movimentos sociais. E é isso mesmo: o veto precisa ser construído! Dilma precisa sentir que tem base e apoio para isso!

Essa bandeira, juntamente com o retorno da normalidade na Petrobrás, é o caminho de recuperação da popularidade do governo. Popularidade que só será reconstruída por completo quando o país voltar a crescer e gerar emprego e renda. E isso vai acontecer no médio prazo. Aliás, o próprio Levy parece que levou uma boa enquadrada na sua arrogância inicial e está mais comedido.

O debate sobre a terceirização, mostrando claramente quem é quem, pode isolar o movimento golpista ao pequeno grupo que eles na verdade são. Suas pautas que versam sobre golpe militar, orgulho hétero e demais bizarrices constrangem tanto a Globo quanto o PSDB. Reduzidos ao que realmente são, os extremistas serão abandonados pela aliança mídia-tucanato, assim como foram nas tais "manifestações de junho de 2013", quando a "onda protestadora" arrefeceu. 

O fato é que a tentativa da mídia e, a reboque, do PSDB, de dar no Brasil um golpe tipo paraguaio, via parlamento (com apoio nas ruas), pode estar fazendo água. E Eduardo Cunha tem um telhado de vidro tão frágil quanto o do PSDB, e acredito que a ida de Michel Temer para a articulação política pode dar bons resultados no congresso.

O caminho ainda está turvo, o governo pode voltar a errar na condução política, mas acredito que vamos voltar a respirar tempos de democracia plena em breve. Até mesmo os arroubos totalitários de algumas figuras do judiciário, tomados de coragem pelo apoio e prêmios recebidos da Globo, começam a serem contestados pela sociedade civil e instituições importantes do país, como a OAB.

Seguir com a democracia é condição primeira para o país voltar a crescer, protegendo o emprego e a renda de quem mais necessita. E seguir com a democracia significa, também, retomar o debate político de maneira mais clara, recolocando na ordem do dia as pautas progressistas e recolocando nos seus devidos lugares figuras políticas profundamente anti-populares mas que se beneficiam do clima de confusão criado na crise.

Me refiro a José Serra ( que se elegeu senador para buscar concretizar a sua promessa de entregar o pré-sal à Chevron) e a FHC, o aspirante a substituto de Carlos Lacerda, aquele representante da elitista UDN que não tinha votos e por isso apelava ao mais baixo golpismo contra aqueles que eram eleitos com legitimidade ou contra quem tinha um prestígio popular inabalável, como o de Lula hoje.

O momento ainda é delicado, mas temos um caminho menos impedido para trilhar daqui para frente. É momento de seguir em frente na defesa de um projeto popular de pais com o qual tanto sonhamos e pelo qual tanto lutamos.

Ricardo Jimenez

1o Hangout O Calçadão


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Nova Entrada do Parque Curupira: a cara de Ribeirão!


Em breve será inaugurada uma nova entrada para o Parque Curupira. Ela fica de frente para condomínios de alto padrão que estão sendo construídos aos fundos do parque. Com unidades de mais de 1 milhão de reais, seus moradores serão agraciados com uma entrada "vip" para o mais bonito parque da cidade.

A política de parques municipais, principalmente em grandes áreas verdes, nunca agradou aos interesses das construtoras. Principalmente na área do Parque Curupira, uma extensa área verde, bem mais ampla que o próprio parque, que vai da Costábile Romano até a Arnaldo Vitaliano.

Na verdade, tudo aquilo deveria ser uma enorme área de proteção ambiental dentro de uma cidade que é uma das mais necessitadas de vegetação. É ali que nasce o córrego dos Catetos e é (ou era) um refúgio da fauna local. Mas tudo aquilo já está "consolidado" para as construtoras.

A política de parques estagnou-se faz tempo, assim como a participação popular nos destinos do município.

A nova entrada do Parque Curupira é a cara de Ribeirão Preto: uma cidade altamente excludente que só cresce para a zona sul, em condomínios de alto padrão, dominada pelos interesses de uma elite endinheirada.

Fico imaginando o quanto não valorizou os imóveis do local a propaganda de que em breve se teria uma entrada "privê" para o mais bonito parque da cidade.

Ribeirão Preto é uma cidade como tantas outras onde quem manda é o interesse do dinheiro. O gabinete do Prefeito, que é eleito pelo povo, fica aberto 24h para o lobby empresarial. 

Esse não é o município dos sonhos do seu povo. Devemos defender uma cidade inclusiva, com amplas áreas voltadas para o lazer e cultura, principalmente nos bairros populares. 

A nova "cancela vip" do parque voltada para um condomínio de bacanas nos mostra claramente que tipo de cidade temos atualmente e nos faz pensar em que tipo de cidade queremos para o futuro.

Enquanto isso, as praças existentes nos bairros populares estão sujas, com mato alto, são inseguras e os moradores não têm coragem e nem vontade de frequentá-las.

Ricardo Jimenez

Aliança Político-Empresarial impõe dura derrota à classe trabalhadora!



O dia 8 de abril de 2015 vai entrar para a história como o dia em que a classe trabalhadora brasileira foi ferida pelas costas por uma oportunista aliança entre políticos e empresários. Vai entrar ainda mais na história porque o fato ocorreu durante um governo do PT.

O PT não tem nenhuma culpa direta no que aconteceu. O partido sempre lutou a favor dos direitos trabalhistas. Mas, talvez caiba, sim, uma autocrítica, pois após 12 anos consecutivos de governo, seria inimaginável pensar que tanto sua Presidente quanto o próprio partido pudessem estar tão emparedados e enfraquecidos a ponto de serem presa fácil de um conluio corrupto e oportunista que, dentre outras coisas, encontrou força para atacar o coração da CLT sem que isso causasse grande comoção e manifestações.

Pelo contrário, neste próximo dia 12 sairão novamente às ruas os manifestantes pró-impeachment e pró- golpe militar, apoiados pelo PSDB, por Eduardo Cunha e pelo empresariado paulista, mentores e autores do projeto de terceirização aprovado e os maiores beneficiados pelos esquemas de sonegação de impostos que desviam mais de 500 bilhões de reais anuais do país.

Entre 2003 e 2013, nos governos Lula e Dilma, foram criados mais de 17 milhões de empregos com carteira assinada, pela primeira vez na história o emprego informal diminuiu. A política de valorização do mínimo gerou renda, mais de 30 milhões puderam entrar na "sociedade de consumo". Lula expandiu direitos de aposentadoria para a dona de casa e Dilma, para a empregada doméstica. A política econômica de cunho expansionista deu um salto na infra-estrutura. Ou seja, até  2 anos atrás nossa agenda era outra, de otimismo e crescimento.

De repente a agenda virou e os direitos trabalhistas contidos na CLT são derrubados numa única tacada, de afogadilho, sob comando de Eduardo Cunha, o homem especialista na relação entre política e meio empresarial. E junto com Eduardo Cunha estava o PSDB, o partido mais corrupto do Brasil mas amplamente protegido pela mídia amiga.

Uma das agendas das manifestações de 2013 era a reforma política. Isso até a Globo encampar o movimento e se aliar aos extremistas da intervenção militar. O tema da reforma política passou, então, a se arrastar como um monstrengo, servindo apenas de retórica empolada para discursos vazios.

Agora vemos claramente que todo o movimento realizado desde que a Globo encampou as chamadas "jornadas de junho" tinha como objetivo enfraquecer o governo, botar o PT e a esquerda contra a parede para poder realizar os planos que as eleições de Lula e Dilma haviam atrapalhado. A Globo na linha de frente e o tucanato escondidinho atrás. Foi uma fustigada atrás da outra: mensalão, petrolão, jornadas de junho, campanha contra a Copa e, pimba, adeus CLT!

O processo é tão perverso que, reparem, transformando o governo num fantoche, a aliança capital-conservadorismo não só conseguirá afundar de vez a proibição de doações empresariais para campanhas, mote da reforma política, (por isso Gilmar não devolve) mas aprofundará ainda mais a relação promíscua entre empresários e políticos.

No bojo do projeto de terceirização está o filão do setor público!

Imaginem quanto não lucrarão os lobistas e os empresários quando os servidores públicos começarem a ser trocados pelos terceirizados. Imaginem uma empresa de engenharia fornecendo engenheiros para um governo. Quem fará a ligação política? Quanto não será acertado por fora para doações de campanhas?

Chegamos a 2015 vendo um governo emparedado, chantageado, cedendo poder ao PMDB. Vemos as pautas progressistas serem substituídas por coisas como a terceirização, dia do orgulho hétero, pedidos de golpe militar, homofobia explícita, hipocrisia midiática e tantas outras aberrações. Vemos boa parte da classe trabalhadora perdida, odiando um fantoche criado por aqueles que verdadeiramente a prejudicam. Vemos a questão da sonegação fiscal, que envolve a alta nata dos endinheirados, ser relegada a um segundo plano.

O momento não é fácil. Em uma guerra, em momentos como esse, a solução é entregar parte do poder para não ser totalmente derrotado. E é isto que está acontecendo. De tudo fica a lição: jamais devemos deixar de falar e ouvir o povo, de enxergá-lo e se enxergar nele, de lhe dar voz e mecanismos de participação, de não tomarmos para nós os métodos espúrios dos nossos inimigos. Quando achamos que podemos resolver tudo com gogó e caneta, quando achamos que estamos por cima da carne seca, estamos, na verdade, no caminho da derrota.

Ricardo Jimenez







quarta-feira, 8 de abril de 2015

Resposta Histórica do Vasco e os dias de hoje!


Ontem fez 91 anos da famosa Resposta Histórica do Vasco à sociedade carioca!

Para mim, a Resposta Histórica é o segundo nascimento do Vasco!

Em 1898 nasceu um clube: Clube de Regatas Vasco da Gama.

Em 1924 emergiu um gigante!

A mesma elite que vaiou os modernistas na Semana de 22, em São Paulo, quis que o Vasco da Gama desligasse de seus quadros os negros, os nordestinos, os pobres e os mulatos para poder participar da Nova Liga (Campeonato Carioca da Época).

O Vasco era o atual campeão, possuía negros, nordestinos e mulatos em sua equipe. Mais, não era somente o time: o seu quadro social era composto, basicamente, por negros, nordestinos, mulatos e pobres.

O clube havia vencido os 4 times da elite zona-sul: Flamengo, Fluminense, Botafogo, América. Estes mesmos colocavam como condição o escrito acima. Iam mais longe: diziam que negros, mulatos, pobres e nordestinos possuíam profissões duvidosas.

A criminalização das camadas populares já existia naquela época.

O Vasco não abaixou a cabeça. Como os modernistas, rompeu o pensamento vigente, excludente.

Nas últimas eleições vimos gritos muito parecidos contra essas pessoas pertencentes às camadas populares.

O pensamento elitista não mudou nos últimos 91 anos!

Neste exato momento, representantes e apoiadores da elite querem retirar direitos trabalhistas tão duramente conquistados ao longo do tempo pelos trabalhadores, pelos de baixo.

Direitos iniciados com a criação da CLT assinada por Getúlio, em São Januário, diante de milhares de operários!

A resposta histórica será sempre o nosso maior troféu!

Precisamos de uma resposta histórica em nossa atual conjuntura política.

Sejamos vascaínos no sentido histórico da palavra.

Eu sou assalariado, professor-operário.

Sou candango de vô nordestino.

Sou de esquerda.

Filipe Maia - Vascaíno, poeta e chargista de O Calçadão.

Congresso Conservador Ataca Direitos Trabalhistas!


Os direitos trabalhistas foram fruto de conquistas históricas da luta da classe trabalhadora. Até 1919, ano em que foi consolidada a Organização Internacional do Trabalho, a massa trabalhadora mundial convivia com a total ausência de direitos.

Era comum os massacres aos trabalhadores em momentos de paralisações por direitos. O dia 8 de março, conhecido como Dia Internacional da Mulher, foi marcado pelo incêndio proposital que matou centenas de trabalhadoras em Nova Iorque em 1911. Naquele período eram consideradas normais jornadas de 16 horas e não havia nenhuma proteção especial ao trabalho feminino e infantil.

O capital, do qual a classe empresarial é partícipe, jamais se conformou em ceder direitos trabalhistas. Se cedeu foi porque entregou os anéis para não perder os dedos. Mas em toda ocasião onde houve um enfraquecimento das lutas ou da mobilização dos trabalhadores, o capital jamais perdeu a oportunidade de atentar contra eles.

A terceirização da mão-de-obra é apenas mais um dos mecanismos de ataque do capital contra os direitos trabalhistas. Em todos os países do mundo que o usam de forma sistemática (EUA, China, Japão, Coreia, Canadá), terceirizar significa precarizar as relações de trabalho para diminuir custos. O resultado é a diminuição de salários, perda de direitos como 13o, piso da categoria, plano de saúde e participação nos lucros. No limite, há mais casos de acidentes de trabalho, aumento absurdo da jornada e trabalho semi-escravo.

Na dúvida é só pesquisar sobre as condições de trabalho na China ou até mais aqui perto, nas Maquiladoras mexicanas, onde mulheres grávidas são obrigadas a abortarem para não perderem dias de trabalho.

Todo mundo que já trabalhou ou conhece alguém que trabalha de forma terceirizada sabe que a relação de trabalho é precária.

Neste momento no Brasil mais uma vez o capital se aproveita de um enfraquecimento do governo central para atentar contra os direitos trabalhistas. O projeto de lei que regulamenta o assunto está sendo levado à força pelo atual presidente da Câmara Eduardo Cunha. Certamente faz parte dos seus compromissos de campanha, compromissos com os financiadores de sua campanha.

O projeto libera a terceirização total, para todos os cargos e serviços. Relega à empresa contratante a responsabilidade de fiscalizar a contratada! Quanto tempo será que o trabalhador vai levar, se a lei for aprovada, para ter seus direitos contra demissões sem justa causa ou para receber direitos ilegalmente suspensos? O projeto cria uma via paralela de contratação e, na prática, coloca de lado as garantias históricas contidas na CLT.

E o argumento é sempre o mesmo: aumentar a competitividade das empresas nacionais. A Confederação Nacional da Indústria, comandada pelo Paulo Skaf (representante do tradicional pensamento paulista), defende ardorosamente a matéria. A Força Sindical do ultra-pelego Paulinho Pereira, também.

Márcio Pochmann, em 2012, mostrava que o caminho seguido pelo Brasil desde 2003 era bem diferente. Sob Lula e Dilma e uma política de expansão do crédito, o país criou mais de 18 milhões de empregos com carteira assinada, na maior expansão do emprego na história recente. E emprego com carteira assinada significa renda e qualidade de vida ao trabalhador. E foi mais além, praticou uma sistemática política de valorização do salário mínimo e garantiu direitos às empregadas domésticas!

Ao invés de terceirizações, o que se debatia há 5 anos atrás era a redução da jornada!

Porque então essa reviravolta agora?

Porque a política econômica anterior não interessa ao sistema financeiro. Interessa, sim, ao sistema manter o país amarrado à ciranda financeira. Incentivar o crédito e abaixar os juros, como Dilma tentou fazer entre 2011 e 2012, é uma heresia para o tal "mercado". Manter um câmbio desvalorizado para dinamizar o setor exportador também não interessa. Mas com um governo enfraquecido tudo se torna mais fácil. A guinada à direita do governo Dilma é uma guinada forçada pela chantagem do sistema.

Tudo está interligado. Coloca-se sob pressão o governo contra a parede, espalha-se pelo país o discurso histérico e hipócrita da corrupção e elege-se um Congresso conservador e aliado ao sistema. Pronto. Tem-se a receita.

Por mais críticas que se tenha ao PT e ao governo, e elas são justas e muitas, uma coisa é certa: com o governo forte e com a esquerda (não só o PT) podendo debater a agenda nacional, coisas regressistas como a redução da maioridade penal ou uma lei geral de terceirizações seriam inimagináveis.

Não sei quanto tempo mais o discurso progressista ficará na defensiva, acossado por um sistema de mídia monopolista, mas quanto mais tempo isso durar, mais perdas virão. O momento é de luta e demarcar claramente os campos. O que o sistema tentou fazer desde as manifestações de 2013 foi transformar a política num saco de gatos. Agora é a hora da afirmação: nós defendemos os trabalhadores!

A defesa dos direitos trabalhistas é a defesa do Brasil e do seu povo!

Ricardo Jimenez 

domingo, 5 de abril de 2015

A FUNAI sucateada: quem bate panela pelos índios?


Na história do Brasil, e na história de todos os demais países que sofreram colonização, a relação entre o autóctone (o índio, o silvícola) e o explorador-colonizador foi extremamente prejudicial ao índio, ao mais fraco. Massacre e genocídio são as palavras corretas para expressar o que houve.

O mestre Darcy Ribeiro, em sua obra prima O Povo Brasileiro, mostra que o genocídio indígena foi monstruoso. Usados em guerras entre católicos e calvinistas no século 17, massacrados nas lavouras de cana, "amansados" e aculturados nas reduções jesuíticas. No século 16 sua população (com centenas de etnias e línguas) perfazia mais de 3 milhões de indivíduos. No final do século 19, quando os negros conquistaram a alforria, havia menos de 120 mil índios no país.

Darcy também nos mostra que, diferente dos negros, os índios nunca conviveram em sociedade. Quando o Brasil começou a formar sua estrutura urbana, no século 18 com a mineração, os índios já haviam fugido para as matas do interior do país.

Seriam certamente extintos pelo avanço da fronteira agrícola e urbana se não tivesse sido criado no início do século 20 o chamado "indigenismo brasileiro". Seu criador foi o militar e mestiço Marechal Rondon.

Rondon levou o telégrafo para a região norte (Mato Grosso e Amazônia), descobrindo os terenas, bororós e tantas outras etnias. O lema de Rondon era: encontrar, proteger, auxiliar. Essa forma nova de pensar o contato com o silvícola/autóctone espantou até mesmo o Presidente estadunidense Theodore Roosevelt, que em viagem pela amazônia elogiou a forma como os homens de Rondon lidavam com os índios. Roosevelt tinha motivos para o espanto, pois seu país manteve sempre em relação ao índio o caráter genocida.

A visão de Rondon foi decisiva para que os irmãos Villas-Bôas pudesssem tocar em frente o "indigenismo brasileiro". A maior conquista foi a demarcação do Parque Nacional do Xingu em 1961, inaugurando no país a política de terras indígenas. Levada a cabo a partir dos anos 2000, essa política indigenista conseguiu incluir como terras protegidas indígenas mais de 13% do território nacional (50% do território da Amazônia Legal). A proteção ambiental dentro das reservas indígenas é ainda maior do que nas Unidades de Conservação.

O maior instrumento de ação em defesa dos índios sempre foi a FUNAI, criada em 1967 em substituição ao Serviço de Proteção ao Índio. A FUNAI foi o braço do Estado na proteção ao índio. Mesmo enfrentando as décadas de explosão da agricultura e do avanço do desmatamento, o Estado brasileiro conseguiu fazer com que a população indígena aumentasse. No último censo são mais de 800 mil índios, sendo 200 mil vivendo em aldeias (10 mil considerados isolados).

Mas parece claro que a política indigenista está em risco. A FUNAI está sendo rapidamente sucateada e perdendo sua capacidade de operação. Graças ao lobbie agropastoril. A pressão aumentou após os anos Lula, quando houve expressivo aumento das terras indígenas, e após a aprovação do novo Código Ambiental (entendido pela bancada ruralista como um salvo conduto para expandir a fronteira agrícola sobre as áreas protegidas).

Há vários projetos no Congresso transferindo as funções da FUNAI para os Estados, diminuindo assim a fiscalização e colocando a política indigenista sob o poder financeiro que cerca o ruralismo.

O governo Dilma tem sido de aumento dos conflitos com índios e, consequentemente, de mortes. A bancada ruralista conta com muito dinheiro, inclusive das multinacionais de sementes e agrotóxicos. Pelo lado dos índios falta quem tenha vontade de pegar panelas e bater por eles.

Corremos o risco de ver voltar a maneira antiga de se lidar com o índio: na base do massacre.

Estamos vivendo um período de crescimento dos posicionamentos conservadores e reacionários, e a questão indígena padece de certo esquecimento.

Quem vai bater panelas por eles?

Ricardo Jimenez